Segundo reportagem de Carolina Melo na Revista Veja “Até os 8 só elogios, ok?” de Fevereiro de 2012, pesquisa recente da Universidade de Leiden, na Holanda, utilizando ressonância magnética funcional, mostrou  que crianças na faixa de 8 a 9 anos aprendem com elogios, mas não com críticas negativas – simplesmente não dão ouvidos a elas. As crianças na faixa dos 11 e 13 anos são capazes de aprender com os próprios erros e, portanto, são sensíveis às críticas negativas, da mesma forma que os adultos. Disse a Vejao neurologista  Paul Thompson, da Universidade da Califórnia, especialista em ressonância magnética cerebral: “O lobo frontal do cérebro, responsável pelo autocontrole e pela avaliação das consequências das atitudes, só se desenvolve plenamente a partir dos 12 anos. É por isso que as crianças se expõem a situações de risco sem perceber. Isso explica por que o desenvolvimento cognitivo no cérebro das crianças mais velhas é ativado por respostas negativas, enquanto nas pequenas ela ocorre por meio de respostas positivas”.

Portanto, precisamos repensar as estratégias de educação considerando essas novas perspectivas neurocientíficas. É mais importante apresentar consequências positivas do comportamento adequado da criança (reforçando, elogiando, valorizando, se orgulhando) do que chamar atenção e punir o inadequado. Na maioria das vezes, chama-se atenção para erros e comportamentos negativos, o que realmente, como vemos na prática, não parece eficaz…e agora sabemos porquê! As pesquisas em neurociência e educação vêm revolucionando as práticas de ensino nas escolas e nas famílias. A partir do momento que entendemos os mecanismos básicos de como o cérebro aprende e se comporta, podemos utilizar práticas mais realistas e eventualmente mais eficazes na educação dos filhos. Como reforçar o comportamento de nossos filhos? A psicóloga Lidia Weber explica que deve-se reforçar a criança sempre depois e não antes de determinado comportamento e, para isso, pode-se utilizar diferentes tipos de reforçadores;

1. Reforços sociais: são os melhores! São os elogios, abraços, beijos, sorrisos, um contato visual positivo, um bilhetinho afetuoso com elogios sobre o fato positivo, elogiá-lo para a família e amigos quando ele estiver por perto. Descreva o que seu filho esta fazendo: não diga apenas “que bonito” mas “puxa eu notei que você esta desenhando com muita criatividade”. Seja específico: diga “eu gostei que você guardou as bonecas no lugar” ou “gostei de ver o caderno limpo, organizado e caprichado” e não apenas “muito bom” ou “você é bonzinho ou boazinha”. Ensine-o a perceber sentimentos bons de suas próprias atitudes: “você jogou muito bem hoje, deve estar orgulhoso de si mesmo”. O elogio deve ser sincero, as crianças tem uma antena incrível para perceber inconsistências e bajulações sem sentido. Portanto não precisa dizer que o desenho do seu filho é o mais lindo do mundo mas pode elogiar o seu esforço!

2. Atividades reforçadoras: permitir que a criança faça alguma atividade que goste como, por exemplo, jogar bola, ficar meia hora a mais no computador, convidar ou  sair com amigos e etc.

3. Reforços materiais: Devem ser usados com cuidado e só de vez em quando, por exemplo, dar um chocolate, um lanchinho especial, uma revistinha ou combinar algum sistema de pontos que acumulados podem ser trocados por alguma coisa que a criança goste.

É muito importante prestar atenção nos filhos e descobrir o que é reforçador para cada um. Varia muito de uma criança para outra. Por exemplo, para a minha filha de 6 anos tomar café da manhã na cama é muito reforçador, mas para os outros de 10 e 13 não. O mais velho prefere ter mais tempo no computador, poder dormir mais tarde ou sair com os amigos e o do meio, jogar futebol, ver televisão e chamar amigos para brincar em casa!

É importante lembrar que reforço não é suborno, reforçar é aumentar a probabilidade de determinado comportamento se repetir, neste caso do filho se comportar de maneira positiva novamente. Subornar é, por exemplo, oferecer uma recompensa para ele parar de se comportar de maneira errada: “se você parar de gritar eu compro o chocolate que você quer’, isso não é adequado e você estará recompensando (reforçando) um comportamento inadequado. Neste caso, aumentando as chances dele se repetir!

Não economize elogios somente para as grandes conquistas, as pequenas também devem ser valorizadas, mas cuidado com exageros que podem parecer falsos e serem sentidos pela criança como mentira. O esforço é mais importante do que o resultado; é mais interessante valorizar o quanto seu filho estudou do que a nota que ele tirou na prova. Não faça elogios irônicos, nem seguidos de críticas sarcásticas (“Puxa, ate que enfim!”) isso anula o efeito do elogio e a criança acha que nunca consegue ser boa o suficiente. Nunca compare o desempenho dela com os outros, compare com ela mesma; “essa redação esta ainda melhor que a do mês passado”.

Cuidado para não reforçar comportamentos errados! Os filhos precisam da atenção dos pais, se os pais só prestam atenção no filho quando este faz algo errado, a tendência é ele continuar se comportando mal para chamar a atenção. Diante de comportamentos inadequados, tome atitudes coerentes com as regras pré-estabelecidas pela família, com autoridade e sem agressividade, reforçando o comportamento oposto. Por exemplo, se seu filho bate na irmãzinha, valorize quando estiverem juntos sem brigar. É importante termos expectativas de bom comportamento dos filhos, as crianças sentem o que os pais esperam delas!

Bibliografia e para saber mais:

Lídia Weber, 2005. Eduque com Carinho: Equilíbrio entre amor e limites. Editora Juruá.

Revista VEJA – 01/02/2012- Edição 2254

O cérebro vai à escola: experiência do Projeto Neuroeduca. Anais do 8a encontro de Extensão da UFMG. Belo Horizonte, de 3 a 8 de setembro de 2005 (http://www.icb.ufmg.br/~neuroeduca)

Lewis Center of Educational Research – CalifórniaGene – Grupo de Estudos em Neurociências e Educação