28/10/2019

Avaliação dos impactos na saúde pública e sua valoração devido à implementação do gás natural veicular na matriz energética de transporte público – ônibus e veículos leves em seis regiões metropolitanas no Brasil

Data: Junho de 2019

Autores: Paulo Afonso de André; Evangelina da M. P. A. de Araujo Vormittag; Juliana Aparecida da Silva Delgado; Paulo Hilário Nascimento Saldiva

Financiador: COMGÁS

Descrição: O presente trabalho teve como objetivo avaliar o impacto da implementação do GNV na matriz energética do transporte público (ônibus) e veículos leves em seis regiões metropolitanas brasileiras (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Vitória, Curitiba e Porto Alegre). Analisando o período de 2018 até 2025, a hipótese levantada é que a implementação do GNV no transporte público e nos veículos leves traga a diminuição da emissão do material particulado fino, MP2,5, que, por sua vez, exercerá um impacto positivo em saúde pública, devido à diminuição dos casos de mortalidade e morbidade relativos à poluição atmosférica, além da diminuição da perda de produtividade e dos gastos públicos hospitalares relacionados. O trabalho foi desenvolvido em três etapas: 1 – ambiental, para a estimativa da concentração do MP2,5 nas seis regiões metropolitanas em diferentes cenários de substituição gradativa de GNV nas suas frotas leve e de ônibus; 2 – epidemiológica, para a avaliação do impacto positivo dos cenários na saúde pública; e, 3 – econômica, para a determinação dos benefícios dos custos referentes às vidas salvas e da economia em gastos públicos das internações hospitalares atribuíveis à diminuição da emissão do MP2,5.

No caso da frota leve, os resultados encontrados em benefício para a saúde, de acordo com os cenários propostos de substituição da motorização do ciclo Otto por GNV, neste estudo, não se mostraram relevantes. O benefício encontrado para a substituição do diesel por GNV na frota de ônibus nas RMSP e RMRJ, segundo o cenário otimista – a substituição de 50% da frota em todos os anos, até 2025 – é a redução de 10.679 mortes e 5.284 internações públicas de 2018 a 2025. Em termos de custos, significam a produtividade salva em R$ 4,5 Bilhões e a economia em gastos públicos em saúde (SUS) em R$ 8,8 milhões. Ou seja, as vidas salvas e internações evitadas, apresentadas pelo uso do GNV conforme o cenário proposto, representam 41% da mortalidade e internações públicas causadas pelo MP emitidos pela frota diesel. Na RMSP, a frota de ônibus representa apenas 10% da frota de fonte diesel e é responsável por 25% das emissões de MP2,5 ou seja, por 25% da mortalidade e internações públicas; tornando-se um excelente alvo para políticas públicas.