Nesta quarta-feira, 29 de outubro, o Instituto Saúde e Sustentabilidade apresentou pesquisa inédita sobre a poluição atmosférica no estado do Rio de Janeiro, indicando as regiões mais poluídas, em evento realizado na Amil, na Barra da Tijuca, para especialistas em saúde e em meio-ambiente. O estudo concluiu que os índices do estado ultrapassam em duas vezes o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), contrastando com a metodologia adotada no Brasil, pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que considera aceitáveis os padrões de poluição aos quais o cidadão fluminense está exposto.

A pesquisa Avaliação do Impacto da Poluição Atmosférica no Estado do Rio de Janeiro sob a Visão da Saúde – que apontou os dados ambientais de poluição, a estimativa do impacto em saúde pública e sua valoração em gastos públicos, durante o período de 2006 a 2012 – foi lançada durante o debate Emergência em Saúde Pública: o Ar que Respiramos, mediado pelo jornalista André Trigueiro, com a participação de Paulo Saldiva, professor titular da Faculdade de Medicina da USP, e de Evangelina Vormittag, diretora-presidente doSaúde e Sustentabilidade..

O Estudo

O estudo aponta 36.194 mortes e 65.102 internações na rede pública de saúde devido à poluição, sendo 14 mortes por dia em todo estado – representando um gasto público de R$ 82 milhões, entre 2006 e 2012. “Esses números poderiam ter sido evitados se o controle dos níveis de poluição não ficasse limitado aos índices observados no estado, mas sim aos indicados pela OMS, que mostram que a qualidade do ar tem se mantido em patamares críticos”, explica Dra. Evangelina Vormittag, diretora-presidente do Saúde e Sustentabilidade.

As cidades de Duque de Caxias, Itaboraí, Nova Iguaçu, Macuco, Resende e Porto Real figuram entre as mais poluídas nos últimos dois anos do estudo. Já aquelas com maior risco de morte são: Macuco, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Itaboraí, Barra Mansa e a capital, por apresentarem maiores níveis de poluição, maior número de dias poluídos no ano e maiores taxas de mortalidade Em 2011, o número de mortes atribuídas à poluição no estado do Rio foi cerca de uma vez e meia maior que os óbitos por acidentes de trânsito (3.044), quase três vezes maior que as mortes por câncer de mama (1.905) ou decorrentes da AIDS (1.792) e quase sete vezes maior que falecimentos por câncer de próstata (712).

Em todo o Rio de Janeiro, o nível de poluição por Material Particulado 2,5 (MP2,5), um dos poluentes  mais relevantes do ponto de vista de saúde, está elevado para todos os anos avaliados. A região metropolitana apresenta os maiores níveis, inclusive acima da média do estado. A diretora de Sustentabilidade da Amil, Odete Freitas, reforça que o desenvolvimento de doenças em função da exposição à poluição requer atenção dos setores público e privado de saúde. “Doenças como câncer de pulmão, infecções das vias aéreas superiores e pneumonia foram apontadas pelo estudo como responsáveis por grande parte das mortes decorrentes da poluição atmosférica. Essa é uma realidade que exige ação  das empresas e das instituições responsáveis por cuidar da saúde da população e demanda políticas de saúde efetivas por parte dos órgãos reguladores”, destaca Freitas.

A Avaliação compara os níveis de MP2,5 do Rio de Janeiro com o padrão recomendado pela OMS, que é o limite aceitável para o mínimo efeito nocivo à saúde humana, em substituição aos padrões nacionais estabelecidos pela Resolução CONAMA nº 03/1990 (tabela abaixo).

Médias anuais de MP2,5 no Estado do Rio de Janeiro

 Metodologia:

O estudo é desenvolvido em 3 etapas: cálculos ambientais, epidemiológicos e econométricos. São empregadas diferentes ferramentas metodológicas para a análise da poluição atmosférica no Estado do Rio de Janeiro, seus efeitos sobre a saúde e gastos decorrentes destes efeitos a partir da utilização dos padrões de poluição adotados pela Organização Mundial de Saúde, ao invés dos padrões da Resolução CONAMA Nº 03/90.

Confira aqui o estudo completo.

This Wednesday, October 29th, the Health and Sustainability Institute presented a inedited  research about atmospheric pollution in the Rio de Janeiro state, indicating the regions most polluted, in event organized in Amil, in Barra da Tijuca, for specialists in health and environment. The study concluded that the indexes of the state exceeded two times the recommended by World Health Organization (WHO), contrasting with the methodology adopted in Brazil, by the National Council for the Environment (CONAMA in Portuguese), that consider acceptable the standards of pollution whose the citizen of Rio de Janeiro is exposed.

The research “Evaluation of the Impact of the Atmospheric Pollution in the Rio de Janeiro State under the health vision” – that pointed out the environmental data of pollution, the estimate of the impact in public health and its valuation in public spending, during the period of 2006 to 2012 – was launched during the debate “Emergency in Public Health: the air that we breathe” mediated by the journalist André Trigueiro, with the participation of Paulo Saldiva, titular professor of the Faculty of Medicine of USP, and of Evangelina Vormittag, director of the Health and Sustainability Institute.

The study

The study points 36.194 deaths and 65.102 hospitalizations in the public health network due the pollution, that corresponds to 14 deaths per day in all the stated – representing a public spending of R$ 82 million, between 2006 and 2012. “These numbers could have been avoided if the control of pollution levels wouldn’t be limited to the rates observed in the state, but those indicated by WHO that shows that the air quality has remained at high levels”, explaim Dr. Evagelina Vormittag, director of the Health and Sustainability.

The cities of Duque de Caxias, Itaboraí, Nova Iguaçu, Macuco, Resend and Porto Real are among the most polluted in the last two years of the study. Since those with higher risk of death are: Macuco, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Itaboraí, Barra Mansa and the capital, because they have higher levels of pollutions, higher number of polluted days in the year and higher taxes of mortality. In 2011, the number of deaths attributed to pollution in Rio was about one and a half times higher than road traffic accidents (3.044), almost trhee times hogher than deaths from brest cancer (1905) or from AIDS (1792) and almost seven times higher than deaths from prostate cancer (712).

In all the Rio de Janeiro state, the level of particulate matter 2,5 (PM2,5), one of the most important in the point of view of health, is elevated to all the years evaluated. The metropolitan region present the higher levels, even above the state average. The sustainability director of Amil, Odette Freitas, reinforces the development of diseases due to the pollution exposure attention from the public and private health sectors. “Diseases such as lung cancer, upper respiratory infections and pneumonia were identified in the study as responsible for most of the deaths from air pollution. This is a reality that demands action firms and institutions responsible for caring for the health of the population and demand for effective health policies by regulatory agencies”, says Freitas.

The evaluations compares the levels of PM2,5 of Rio de Janeiro with the standards recommended by WHO, that is the acceptable limit to the minimum prejudicial effect to human health, in substitution of the standards established by the CONAMA resolution nº 03/1990 (table below).

 Annual mean of PM2,5 in Rio de Janeiro State:

Methodology:

The study is developed in three steps: environmental calculation, epidemiologic and econometric. Are used different methodological tools to the analysis of the atmospheric pollution in the Rio de Janeiro state, its effects in health and spending due this effects from the use of the air quality standards recommended by WHO, instead of the CONAMA resolution nº 03/90 standards.

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