André Cabette Fábio

Colaboração para o Nexo Jornal

Um estudo realizado com dados de 6,6 milhões de pessoas no Canadá aponta que a chance de desenvolver demência aumenta para quem mora próximo a vias movimentadas

Nos últimos anos, pesquisadores têm se dedicado a estudar a existência de uma correlação entre vias movimentadas e poluídas e perdas cognitivas. Alguns trabalhos encontraram evidências de que ela existe.

Por exemplo: em 2009, um estudo publicado na revista “Environmental Research” mostrou que a exposição a minúsculas partículas sólidas ou líquidas presentes na poluição do ar tem correlação com a diminuição da habilidade cognitiva em mulheres idosas de 68 a 79 anos.

Em 2015, um artigo publicado na revista “Stroke” mostrou que a exposição de longo prazo a ambientes poluídos está associada a um volume cerebral menor.

Realizada a partir de dados de 6,6 milhões de pessoas coletados entre 2001 e 2012 e publicada em janeiro de 2017 na revista “The Lancet”, a pesquisa “Viver perto de grandes estradas e a incidência de mal de demência, mal de Parkinson e esclerose múltipla” descobriu que quanto mais perto se mora de uma via movimentada, maior o risco de desenvolver demência — nome dado a uma série de sintomas que podem ser causados por diversas doenças e incluem dificuldade de pensar, se comunicar e problemas de memória.

O estudo não encontrou a mesma ligação com mal de Parkinson e a esclerose múltipla, uma doença em que o próprio sistema imunológico ataca células do cérebro, nervos óticos e sistema nervoso central.

Os resultados devem ser encarados com cautela, e não são conclusivos sobre que fatores ligados a morar perto dessas vias podem contribuir para o desenvolvimento de demência — esses locais têm uma série de problemas como: barulho, minúsculas partículas sólidas e líquidas capazes de entrar na corrente sanguínea e agredir o corpo, metais pesados e óxidos de nitrogênio.

Mas a pesquisa levanta a hipótese de que isso ocorre devido a repetidas inflamações cerebrais relacionadas à exposição à poluição automotiva e, possivelmente, à poluição sonora, que piora a qualidade do sono dos moradores.

O trabalho pode ser encarado como mais um indício de que viver próximo a áreas movimentadas, barulhentas e poluídas faz mal não só para o pulmão e o coração, mas também para o cérebro e a mente.

Leia reportagem completa aqui