23/10/2018

Professores e alunos da EACH fazem estudo na cidade de Mariana e analisam rompimento da barragem de Fundão

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Notícia de EACH USP

Professores e alunos do curso de Gestão Ambiental da EACH estiveram no distrito mineiro de Bento Rodrigues, afetado no ano de 2015 após o rompimento da barragem de Fundão, para uma atividade de campo da disciplina ACH-1074 Gestão Ambiental. A visita e os estudos foram realizados sob a coordenação e responsabilidade da professora da EACH Neli Aparecida de Mello Thérry.

O objetivo da disciplina é desenvolver um Plano de Gestão Ambiental para a bacia do Rio Doce, aprendendo a elaborar cada uma das etapas requeridas, identificando os tipos de instrumentos mais adequados para a solução dos problemas ambientais na região estudada.

A visita, que se estendeu para o distrito de Paracatu de Baixo e as cidades de Mariana e Belo Horizonte, mobilizou os alunos e professores no sentido de obter informações por meio de observações locais das problemáticas identificadas para o Plano.

A atividade didática de campo em Mariana permitiu aos alunos e professores a discussão com autoridades e representantes locais sobre o rompimento da barragem de Fundão, a responsabilidade civil das empresas envolvidas, o papel das instituições governamentais federal, estadual e municipal, a ação do Ministério Publico Estadual em Mariana, assim como os atingidos pelo desastre.

Permitiu ainda o aprofundamento das reflexões iniciais dos alunos quando da elaboração do diagnóstico dos meios físico, biótico e socioeconômico. Conflitos explícitos entre os atores locais, um verdadeiro processo controverso com posicionamentos distintos, de defesa ou de ataque a cada um dos lados. Foi possível entender as distintas visões a respeito do mesmo fato, ou seja, do rompimento da barragem, seus impactos socioambientais. Os encontros com representantes institucionais objetivavam, sobretudo, entender os papéis que cada uma tem, como suas decisões foram tomadas, quais instrumentos de gestão ambiental foram e têm sido utilizados.

O encontro com os atingidos e as visitas aos locais impactados permitiu reflexões sobre o drama que marcou e tem marcado a vida dos moradores, seus movimentos de resistência e os anseios que carregam para que se resolvam as pendências.

Do ponto de vista pedagógico, a vivência, por menor tempo que fosse, permitiu o amadurecimento das reflexões iniciais e a evolução para as etapas seguintes do trabalho de final da disciplina que é o plano de gestão ambiental territorial da bacia do Rio Doce. Uma oportunidade única para os alunos se aproximarem e trabalharem com as múltiplas faces da Gestão Ambiental.

De acordo com o professor Andrea Cavicchioli, coordenador do curso de Gestão Ambiental da EACH: “cabe destacar o caráter genuinamente multidisciplinar de uma atividade plenamente harmonizada com a missão mais essencial da nossa Escola”.

Tiveram papel essencial no contato com todas as pessoas e instituições que receberam a equipe da EACH, os alunos mestrandos do PROCAM/USP: Julianna Colonna e Paulo Curi.

Confira na íntegra o relatório dos alunos que participaram do trabalho:

Avaliação dos representantes discentes

A construção do conhecimento em um curso com tantas disciplinas distintas, muitas vezes se torna confusa ou desconexa da realidade dos discentes, desta forma a importância de se ter uma viagem didática como complemento prático de uma disciplina é fundamental em quesitos de aplicações diretas e didáticas de todo o processo de aprendizado. Aplicar e reconhecer conhecimentos até então só vistos de formas teóricas, motiva e impulsiona a criatividade, atenção e empenho do aluno nos âmbitos que tange tanto a disciplina como as questões envoltas a esse assunto.

Portanto, a atividade didática em campo que começou em Belo Horizonte e foi finalizada em Ouro Preto possibilitou diversas experiências e aprendizados. O contato com profissionais dos mais variados setores como Ibama, Semad, Renova, Promotor do Ministério Público dentre outros, foi de grande contribuição para o entendimento da situação em sua complexidade.

Além disso, as vivências possibilitadas nessa ida a campo, realçou informações e reflexões quanto ao plano de gestão territorial da Bacia do Rio Doce proposto pela disciplina. Conhecer a realidade de perto dos atingidos que ainda sofrem com as consequências da irresponsabilidade do maior crime ambiental do país, reconhecer os planos para recuperação propostos, e entender por quais meios jurídicos isso está sendo feito são alguns dos muitos complementos que pudemos observar durante essa uma semana. A ampla gama de assuntos tratados durante esses dias abre um leque de informações, dados, visões e posicionamentos acerca de diversos eixos que englobam o tratado em aula, como físico, biótico e socioambiental em um contexto atual e tangível aos olhos.

Outra contribuição excepcional para melhor aproveitamento e continuidade do campo, foi a presença dos docentes que nos acompanhavam. Guiar e mediar a compreensão de tudo que era dito nas palestras, mostrar outros olhares e posições foi de extrema importância nesse processo. Além é claro, das inferências feitas por cada um, quando o assunto competia a suas áreas de atuação.

Podemos afirmar que a visita ao distrito de Bento Rodrigues, quase no final de nossa viagem, marcou profundamente todos os alunos, visita essa posicionada estrategicamente ao final da semana, onde todos já tinham sido ouvidos, podemos assim constatar a veracidade ou não das falas no decorrer da semana. O sentimento mais valioso que tal visita despertou, mediante a enorme tristeza testemunhada por todos foi o de pertencimento ao curso, a importância insubstituível de Gestores Ambientais qualificados para regular uma operação de tamanho porte se tornou tangível aos discentes,  não somente para evitar o ocorrido, mas para na pior das hipóteses trabalhar nas ações de reparação e compensação, frases como: “agora me sinto conectado com o curso”, “eu entendi o caminho que devo seguir, e o motivo de estudar tantas áreas do conhecimento”  foram ouvidas por nós, assim concluímos que tal viagem se torna essencial para a grade do curso e consequentemente para a formação dos gestores ambientais.