Publicado originalmente em G1 | Por André Trigueiro, RJ2

Um estudo afirma que a poluição do ar será responsável por 54.580 mil mortes nos próximos sete anos no Rio de Janeiro. E a fumaça dos ônibus aparece como um fator especialmente prejudicial à saúde, de acordo com o levantamento divulgado nesta sexta-feira (25) pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade.

O número de mortes representa 19 óbitos por dia. A fumaça que sai do escapamento dos ônibus responderá, sozinha, por 12.179 mortes.

Os pesquisadores também estimam em quase 20 mil o número de internações na saúde pública por conta de doenças respiratórias, cardiovasculares e por câncer de pulmão, com um custo de R$5 milhões aos cofres públicos.

“Nós temos até leis, mas não são cumpridas ou as resoluções são super desatualizadas. Só para dar um exemplo, os padrões de qualidade do ar no brasil são muito desatualizados em comparação com o que se tem no mundo”, diz Evangelina Vormitagg, diretora do Instituto Saúde e Sustentabilidade. “Para você ter uma ideia, o nível de poluição que nós respiramos no Brasil, nos países da Europa, são níveis considerados de emergência”, afirma a pesquisadora.

Nas ruas, alguns moradores do estado reclamam da poluição. “Na semana passada eu estava muito irritada mesmo, estou tomando antialérgico. O ar poluído aí pega, né?”, diz a aposentada Maria Vilma Santos.

Solução pode estar no transporte público

Uma das soluções apontada pelo estudo é a mudança de combustível dos ônibus. Se metade da frota da região metropolitana mudasse de Diesel para Gás Natural, a estimativa é que o número de mortes seria reduzido em 40,98%. Na prática, 4.991 seriam preservadas. Mais de 1.700 pessoas deixariam de ser internadas na rede pública até 2025.

“Além de eu morar no Centro de Copacabana, que tem muito movimento de ônibus, carro, é muita guligem. A gente percebe não só com muita sujeira em casa, mas com a nossa saúde. Minha filha sofre com bronquite asmática e ela sempre tem problemas por conta desse excesso de poluição, muita poeira. Infelizmente, a qualidade do ar aqui na cidade é muito grave”, Gabriela Bianchi, empresária.