30/11/2018

Poluição do ar reduz a expectativa de vida em quase dois anos

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Instituto de Política Energética – EPIC, da Universidade de Chicago, revela que a poluição atmosférica decorrente da emissão de combustíveis fósseis reduz a expectativa média de vida global em 1,8 anos

O Air Quality Life Index, relatório de qualidade do ar lançado recentemente pelo EPIC, aponta a poluição por material particulado como a maior ameaça à saúde humana na atualidade, excedendo em número de mortes e internações doenças transmissíveis como tuberculose e HIV/AIDS, assim como superando inclusive números do próprio cigarro.

Para compreendermos: a fumaça do cigarro leva a uma redução na expectativa de vida média global de cerca de 1,6 anos; o álcool e as drogas reduzem a expectativa de vida em 11 meses; água e saneamento inseguros – 7 meses; HIV / AIDS – 4 meses; conflito e terrorismo – 22 dias. Assim, o impacto da poluição por material particulado na expectativa de vida é comparável ao do tabagismo, o dobro do consumo de álcool e drogas, três vezes o consumo de água contaminada, cinco vezes o do HIV / AIDS e mais de 25 vezes o de áreas de conflito.

“Poluição mata mais do que

AIDS, cigarro e guerras”

“Em todo o mundo na atualidade as pessoas vêm respirando um ar que representa um sério risco para suas saúdes. Contudo a forma como esse risco é comunicado tem sido, muitas vezes, opaca e confusa. O estabelecimento de cores referente às concentrações de poluição do ar –  como vermelho, marrom, laranja e verde – é incerto no que diz respeito ao bem-estar das pessoas”, afirma Michael Greenstone, professor de Economia da Milton Friedman e diretor do EPIC.

 O relatório AQLI é baseado em evidências que quantificam a relação de causa e efeito entre a exposição humana de longo prazo a poluição por material particulado e a expectativa de vida. A partir disso, os resultados foram associados às medições das emissões em todo o mundo. O índice também ilustra como as políticas de poluição do ar podem aumentar a expectativa de vida quando atendem à diretriz da Organização Mundial de Saúde para o que é considerado um nível seguro de exposição. Nesse sentido, vale enfatizar que o Instituto Saúde e Sustentabilidade é um ator significativo na batalha por esta adequação no Brasil.

5,5 bilhões de pessoas vivem em áreas onde a poluição excede as diretrizes da OMS, ou seja, ao menos 75% da população global está submetida aos riscos da poluição atmosférica. A Índia e a China sozinhas representam 73% de todos os anos de vida perdidos.

“Enquanto as pessoas podem parar de fumar e tomar medidas para se proteger de doenças, há pouco que elas possam fazer individualmente para se proteger do ar que respiram”, disse Greenstone.