Não faltam motivos para o Saúde e Sustentabilidade escolher a Poluição do Ar como tema de atenção no Dia Mundial do Meio Ambiente.

A Organização das Nações Unidas, ONU, estabeleceu a poluição do ar como o tema de conscientização neste Dia Mundial do Meio Ambiente 2019, com as celebrações marcadas na China. A OMS também chama atenção para a qualidade do ar e as mudanças climáticas, ao elencá-las em primeiro lugar na lista das 10 prioridades para atuação em saúde neste ano.

Durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas COP24 em Katowice, Polônia, a OMS ainda expôs que, nos cálculos e previsões de diversos cenários, os benefícios para a saúde compensarão os custos relativos aos cumprimentos dos países para atender as metas do Acordo de Paris.

A OMS estima que mais de 92% da população do mundo mundial esteja exposta aos riscos da poluição do ar interna e externa todos os dias, causando cerca de 1 a cada 10 mortes no mundo – o que significa afirmar que são 11,6% das mortes a nível global. Nas Américas são 320 mil mortes anuais e 51 mil delas apenas no Brasil.

Ressalta-se que a má qualidade atmosférica está entre os quatro maiores riscos modificáveis relacionado à mortalidade por doenças crônicas não transmissíveis – antes dela, encontram-se apenas o risco alimentar, pressão arterial e o tabagismo. Ademais, é líder em adoecimento e mortes por causas ambientais, ultrapassando as doenças causadas por água insalubre e por vetores.

Assim, estima-se que cerca de 120 em cada 100.000 pessoas morra prematuramente pelos efeitos da poluição – aproximadamente 9.3 milhões de pessoas. Por comparação, é menor do que a mortalidade prematura causada pelo tabaco  – incluindo fumantes passivos – que está em torno de 7.2 milhões de pessoas. Consequentemente, a poluição do ar representa um risco similar ou maior ao tabagismo, porém fumar é uma decisão pessoal, enquanto estar exposto ao ar poluído não.

Para o 5 de junho deste ano, o Instituto Saúde e Sustentabilidade averiguou o status da qualidade do ar em seis regiões metropolitanas brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Vitória, Porto Alegre e Curitiba, e seus impactos na saúde da população.

As concentrações de material particulado MP10 das regiões variou entre 22 e 38,6 µg/m³. Todas elas com níveis superiores aos preconizados pela OMS – média diária anual 20 µg/m³.

O material particulado é um dos maiores vilões da poluição. São micropartículas em suspensão na atmosfera e que podem causar ou agravar uma série de problemas de saúde, em especial em grupos considerados sensíveis – pessoas com doenças cardíacas ou pulmonares crônicas, idosos e crianças.

Seus efeitos têm sido associados a exposições de curto e longo prazo. As doenças mais comuns associadas à poluição são o infarto, acidente vascular cerebral (AVC), câncer de pulmão e bexiga; bronquite; asma e até diabetes e depressão. Segundo a OPAS, a contaminação do ar é responsável por 35% das mortes por doenças respiratórias, 15% das mortes por derrame, 44% das mortes por doenças do coração, 6% das mortes por câncer de pulmão e 50% dos casos de pneumonia em crianças.