No período de um mês a Organização Mundial da Saúde, o G-7 e o Papa Francisco problematizam os mesmos assuntos

A relação entre a saúde e a poluição atmosférica, assim como as consequências da emissão de gases causadores do aquecimento global, foram temas relatados em relevantes decisões e reflexões ao longo dos meses de maio e junho. Para começar, a Organização Mundial da Saúde (OMS) realizou, entre os dias 18 e 26 de maio deste ano, a 68º Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra, na Suiça. O evento, que tem como costume ocupar-se de uma agenda quase exclusiva de saúde, abordou pela primeira vez a relação entre doenças não transmissíveis como isquemia, infarto do miocárdio, acidente vascular, bronqueopatia crônica e câncer com a poluição do ar.

A discussão rendeu apontamentos como a influência de autoridades municipais em políticas e investimentos em prol de gestões menos poluentes, além de estas iniciativas ainda serem dependentes do contexto e lugar nos quais são desenvolvidas. A assembleia buscou apoio e colaboração de Ministérios da Saúde por meio de seis diretrizes elaboradas. Para saber mais detalhes sobre as decisões e as observações do documento acesse o relatório elaborado pelo Instituto.

Em seguida, a próxima decisão a apontar a relevância da sustentabilidade veio dos países do G-7 (Estados Unidos, Alemanha, França, Inglaterra, Japão, Canadá e Itália). Os líderes das potências se comprometeram, por meio de um comunicado no dia 8 de junho, a reduzir a emissão global de gases de efeito estufa entre 40% e 70% até 2050, baseado em índices de 2010. A diminuição da queima de combustíveis fósseis (carvão mineral, petróleo e gás natural) também destaca a importância da adoção de energias renováveis, mesmo entre outros países além do G-7. O comunicado não só confirma a necessidade de dar atenção ao assunto, mas finalmente a concretiza, pois houve reuniões anteriores que fracassaram em chegar a resoluções.

Por fim, no dia 18 de junho, religião encontrou ciência na encíclica Laudato Si (Louvado Seja), com 190 páginas escritas pelo Papa Francisco. Inovadora entre as publicações da Igreja Católica, a edição expôs os argumentos e estratégias do Papa para combater as mudanças climáticas, entre outros temas. Segundo ele, há uma necessidade “urgente e convincente” da criação de políticas para reduzir a emissão de carbono e substitui-lo por fontes renováveis de energia. No documento, o líder mundial da Igreja Católica incentiva programas educativos e estilos de vida para fugir de simples “remédios técnicos” para combater problemas ambientais.

Apesar de diferentes entre si, as três divulgações tangem assuntos interligados, norteados pela urgência de investimento na sustentabilidade. A motivação pode ser em sua maioria ambiental, como é o caso do comunicado do G-7, mas consequências ainda mais abrangentes como na saúde, divulgadas pela OMS, estão começando a ser incorporadas na relação de problemas causados por agentes da poluição.