De ONU

Mais de 20 anos depois de Pequim começar a procurar maneiras de melhorar a qualidade do ar em uma das maiores e mais crescentes cidades do mundo em desenvolvimento, seus esforços bem-sucedidos fornecem um modelo para outras metrópoles, de acordo com um relatório divulgado pela ONU no início de março (9).

“Essa melhora na qualidade do ar não aconteceu por acidente. Foi resultado de um enorme investimento de tempo, recursos e vontade política”, disse Joyce Msuya, diretora-executiva em exercício da ONU Meio Ambiente. “Entender a história da poluição do ar em Pequim é crucial para qualquer nação, distrito ou municipalidade que deseja seguir caminho semelhante”.

Volume de poluentes do ar em Pequim caiu de 25% a 83%, dependendo do poluente, desde 2013. Foto: ONU Meio Ambiente

Volume de poluentes do ar em Pequim caiu de 25% a 83%, dependendo do poluente, desde 2013. Foto: ONU Meio Ambiente

Mais de 20 anos depois de Pequim começar a procurar maneiras de melhorar a qualidade do ar em uma das maiores e mais crescentes cidades do mundo em desenvolvimento, seus esforços bem-sucedidos fornecem um modelo para outras metrópoles, de acordo com um relatório divulgado pela ONU no início de março (9).

Pesquisas da ONU Meio Ambiente e da Secretaria Municipal de Ecologia e Meio Ambiente de Pequim (BEE, na sigla em inglês) descrevem no documento como o programa de gerenciamento da qualidade do ar de Pequim evoluiu, e fazem recomendações para medidas de curto, médio e longo prazo que a cidade pode tomar para manter a tendência.

O relatório, denominado “Uma Revisão de 20 anos de Controle da Poluição do Ar em Pequim”, foi compilado por uma equipe liderada pela ONU Meio Ambiente, formada por especialistas chineses e internacionais, ao longo de dois anos. O documento cobre o período de 1998 a 2017.

“Essa melhora na qualidade do ar não aconteceu por acidente. Foi resultado de um enorme investimento de tempo, recursos e vontade política”, disse Joyce Msuya, diretora-executiva em exercício da ONU Meio Ambiente. “Entender a história da poluição do ar em Pequim é crucial para qualquer nação, distrito ou municipalidade que deseja seguir caminho semelhante”.

He Kebin, principal autor do relatório e reitor Escola de Meio Ambiente da Universidade de Tsinghua, disse que Pequim progrediu entre 1998 e 2013, mas que houve melhorias ainda mais significativas sob o Plano de Ação de Ar Puro 2013-2017.

Em 1998, a poluição do ar em Pequim foi impulsionada pela combustão de carvão e veículos motorizados. Os principais poluentes excederam os limites nacionais. Em 2013, os níveis de alguns poluentes caíram, como monóxido de carbono e dióxido de enxofre, atendendo os padrões nacionais.

Em 2013, Pequim adotou medidas mais sistemáticas e intensivas. Até o final de 2017, a poluição por partículas finas (PM2.5) caiu de 35% a 25% na região de Pequim-Tianjin-Hebei. Grande parte dessa redução veio de medidas para controlar caldeiras a carvão, fornecer combustíveis domésticos mais limpos e ações de reestruturação industrial.

Durante esse período, as emissões anuais de dióxido de enxofre (SO2), óxidos de nitrogênio (NOx), material particulado (PM10) e compostos orgânicos voláteis em Pequim diminuíram 83%, 43%, 55% e 42%, respectivamente.

O sistema de gestão da qualidade do ar de Pequim é apoiado por monitoramento e avaliação, rateio de fontes de poluição e inventários de emissões. Ele também contém normas legais abrangentes e rigoroso cumprimento da lei ambiental. O trabalho de qualidade do ar é apoiado por políticas econômicas, participação pública e coordenação na prevenção e controle da poluição atmosférica na região de Pequim-Tianjin-Hebei.

Yu Jianhua, vice-chefe do Departamento Municipal de Ecologia e Meio Ambiente de Pequim, disse que, embora muito tenha sido alcançado, mais pode ser feito.

“Atualmente, a concentração de PM2.5 em Pequim ainda não atende os padrões nacionais de qualidade do ar ambiental e excede em muito os níveis recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e episódios de poluição ainda ocorrem durante o outono e o inverno”, disse ele.

“Resolver todos esses problemas de qualidade do ar será um processo de longo prazo. Estamos dispostos a compartilhar nosso conhecimento acumulado há muito tempo e nossa vasta experiência em poluição atmosférica com outras cidades em países em desenvolvimento.”

Liu Jian, cientista-chefe da ONU Meio Ambiente, disse que os resultados refletem a ênfase do governo chinês na proteção ambiental e a contribuição e intensidade do controle da poluição nos últimos anos.

“Os esforços, realizações, experiências e lições de Pequim no controle da poluição do ar nos últimos 20 anos merecem ser analisados ​​e compartilhados para progredir na governança ambiental global”, disse ele.

Esta é a terceira avaliação independente da ONU Meio Ambiente sobre a qualidade do ar de Pequim, após a “Avaliação Ambiental Independente: Jogos Olímpicos de Pequim 2008” e a “Revisão do Controle da Poluição Atmosférica em Pequim: 1998–2013”, publicados em 2009 e 2016, respectivamente.

Dechen Tsering, diretor do Escritório Regional da Ásia-Pacífico da ONU Meio Ambiente, disse que a agência das Nações Unidas está comprometida em promover o desenvolvimento sustentável e as melhores práticas em países e cidades do mundo todo.

“Pequim alcançou melhorias impressionantes na qualidade do ar em um curto espaço de tempo”, disse Tsering. “É um bom exemplo de como uma grande cidade em um país em desenvolvimento pode equilibrar a proteção ambiental e o crescimento econômico”.

Clique aqui para acessar o relatório (em inglês ou chinês).