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A Coca-Cola, considerada por mais de dez vezes a marca mais valiosa do mundo, pretende investir na melhora de sua imagem perante uma das temáticas mais debatidas na área da saúde atualmente: a má alimentação e a obesidade. Pela primeira em 126 anos de história, a empresa abre-se para dialogar sobre o assunto, admitindo – mesmo que minimamente, que faz parte deste problema mundial.

O CEO Muhtar Kent afirmou “Queremos fazer parte da solução”, durante o lançamento de uma série de medidas, que englobam: a diminuição da quantidade de calorias nos produto; a inserção do valor energético de forma mais clara; a criação de campanhas para incentivar a atividades físicas e a extinção de propaganda direcionada a menores de 12 anos, esta última sendo uma das mais polêmicas e inusitadas.

O vice-presidente de comunicação e sustentabilidade da empresa no Brasil, Marco Simões, manteve o discurso e afirmou “Nosso foco é tornar a empresa parte de uma solução para as grandes questões de saúde do século XXI. Queremos que a companhia ajude o mundo a se tornar mais saudável”.

A declaração da Coca-Cola acontece em um momento pertinente, no qual estão aflorando os debates e reflexões sobre a responsabilidade das organizações frente ao impacto gerado por seus produtos e processos na sociedade. Esta atitude exprime um marco para o universo corporativo, afirma o dinamarquês Thomas Kolster em entrevista para a Revista Página 22, pois cria um ambiente propício para o surgimento de um novo modelo de concorrência, não mais sustentada por parâmetros mercadológicos, mas com foco no impacto publicitário e também social causado pelas atividades das empresas, e que enfraquece companhias que não estejam preparadas para implementar práticas socialmente responsáveis.

Sendo assim, a relação entre comidas industrializadas e má alimentação parecer ser óbvia, porém é importante destacar que, durante décadas, as corporações fugiram da questão, tentando isentar-se do problema. Nesse sentido, apesar de reconhecer o real avanço das propostas anunciadas pela Coca-Cola, é importante manter a reflexão, questionando-se se o investimento em ações de marketing menos agressivas realmente colabora com a questão da obesidade, uma vez que o produto comercializado, por si só, é um dos grandes impulsionadores do problema.

Na medida em que uma companhia sustentada pela venda de produtos calóricos busca incentivar a população mundial a realizar exercícios físicos, vale indagar-se: esta é uma ação visando a melhora da qualidade de vida, ou um encorajamento aos indivíduos para perderem o peso que adquiriram justamente consumindo seus próprios produtos?

Confira mais informações em:

UOL Economia – Contra obesidade, Coca-Cola diz que não anuncia mais para menor de 12

Carta Capital – A Coca-Cola quer ensinar a emagrecer. Não funciona

The Guardian – Coca-Cola’s sugar problem

Photo by /Unevenstylish

Coca-Cola, considered for more than ten times the most valuable brand in the world, plans to invest in improving its image towards one of the most debated topics in healthcare today: poor diet and obesity. For the first time in 126 years of history, the company opens up to talk about the problem, admitting – even if minimally, that they are part of this global problem.

The CEO Muhtar Kent said “We want to be part of the solution”, during the launch of a series of measures, which include: reducing the amount of calories in the products, the inclusion of the information about energy value more clearly; the creation of different campaigns to encourage physical activities and extinction advertising directed at children under 12, the last considered the most controversial and unusual measure.

The vice president of communications and corporate sustainability in Brazil, Marco Simões, kept the same speech and stated “Our focus is to make the company part of a solution to the major health issues of the twenty-first century. We want the company to help the world become a healthier place.”

The statement of the Coca-Cola Company comes at a proper time, exactly when are merging the discussions and reflections on the responsibility of organizations against the impact generated by their products and processes in society. This attitude expresses a mark in the corporate world, according to Thomas Kolster in an interview for the magazine page 22, because it creates an environment conducive to the emergence of a new model of competition, no more supported exclusively by marketing, but with a focus on advertising and social impact caused by the activities of the own companies, and weakens companies that are not prepared to implement socially responsible practices .

Thus, the relationship between processed foods and poor diet seem to be obvious, but it is important to emphasize that, for decades, corporations have fled the issue, trying to exempt themselves from the problem. Accordingly, while recognizing the real progress of the proposals announced by Coca-Cola, it is important to keep the reflection, questioning whether the investment in shares of less aggressive marketing really works with the issue of obesity, since the marketed product, by itself, puts forward the problem.

While a company supported by the sale of high-calorie products seeks to encourage the world’s population to perform physical exercises, worth asking: this is an action that aim an improvement of  quality of life, or an encouragement to individuals to lose the weight gained consuming their own products?

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UOL Economia – Contra obesidade, Coca-Cola diz que não anuncia mais para menor de 12

Carta Capital – A Coca-Cola quer ensinar a emagrecer. Não funciona

The Guardian – Coca-Cola’s sugar problem