24/10/2018

Manifesto denuncia montadoras e pede urgência na migração para tecnologia menos poluente

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Por Airton Goes, da Rede Nossa São Paulo 

Documento assinado por 16 organizações, entre as quais a Rede Nossa São Paulo, quer que veículos fabricados e vendidos no país passem para o padrão Euro VI a fim de reduzir mortes causadas pela poluição

Organizações da sociedade civil divulgaram, nesta terça-feira (23/10), manifesto de denúncia contra ação de montadoras, que estariam tentando atrasar o início da exigência de que os carros produzidos e vendidos no Brasil passem a respeitar o chamado padrão Euro VI, que é menos poluente que o atual.

O texto reivindica que a migração, do padrão Euro V para o Euro VI, seja feita o mais rapidamente possível, para reduzir o número de mortes causadas pela poluição do ar.

Assinado por 16 organizações da sociedade civil, entre as quais Rede Nossa São Paulo, Greenpeace, Instituto Alana, Instituto de Defesa do Consumidor e Instituto Saúde e Sustentabilidade, documento foi entregue ao Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente).

De acordo com as entidades, 50 mil pessoas morrem todos os anos no Brasil em virtude de problemas relacionados à poluição do ar. Além disso, segundo a Organização Mundial de Saúde, de cada 100 mil crianças de até cinco anos, mais de 41 morrem em razão da poluição.

O manifesto pede urgência no início da fase P-8 do Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores), que impõe limites de emissões de poluentes por veículos automotores pesados, nacionais e importados, conforme indicado no padrão Euro VI.

A adoção dessa tecnologia, que precisa ser aprovada pelo Conama em votação prevista para ocorrer dias 30 e 31 deste mês, significará uma redução de 80% nas emissões de óxidos de nitrogênio (NOx), um dos precursores do ozônio – gás tóxico para humanos –, e de 70% nas emissões de material particulado.

O padrão Euro VI foi adotado em 2012 na Europa e, em 2017, mais de 44% dos novos veículos pesados produzidos em todo mundo já estavam adequados à norma.

Estima-se que, apenas pela adoção do Euro VI, 2.500 mortes prematuras por ano seriam evitadas no Brasil. A migração para o novo padrão representaria, ainda, uma economia de US$ 74 bilhões com gastos de saúde no país, de 2018 a 2048.

Para o Instituto Alana, a implementação da medida é urgente e garante direitos de crianças e adolescentes, uma vez que há graves evidências científicas de que a exposição de gestantes e bebês à poluição agrava o risco de mortalidade fetal e infantil, além de outras complicações na saúde como crises respiratórias agudas e pneumonia.

Américo Sampaio, gestor de projetos da Rede Nossa São Paulo, explica que a intenção das montadoras é empurrar a obrigatoriedade de adoção do padrão Euro VI para 2023. “Cinco anos é muito tempo, precisamos urgentemente mudar o modelo atual”, afirma.

Imagem: Oswaldo Corneti/ Fotos Públicas

Ouça a entrevista de Américo Sampaio sobre o tema, para a CBN São Paulo: ‘Poluição é absolutamente democrática. Mata todo o tipo de gente’