O uso e desperdício de recursos naturais fazem parte da agenda de grandes conferências e discussões internacionais sobre meio ambiente. Reflorestamento, escassez de água, emissão de gás carbono são frequentemente abordados, enquanto a qualidade do ar que respiramos todos os instantes fica para segundo plano. No entanto, o ar poluído de grandes centros urbanos como São Paulo tem consequências graves para a saúde das pessoas.  A série RespirAR, produzida pelo SPTV em agosto, com a jornalista Michelle Loretto, mostrou quais são estes efeitos.  A fundadora e diretora do Instituto Saúde e Sustentabilidade cedeu entrevistas ao especial, além de fornecer dados de estudos realizados na organização.

A primeira edição do RespirAR, mostrou como as partículas suspensas no ar entram no organismo humano pelas vias respiratórias e atingem a corrente sanguínea, levando a enfartes, derrames e ao câncer. Quem mora em São Paulo, por exemplo, chega a perder até três anos de vida por conta da poluição. Além disso, 7.800 pessoas morrem anualmente devido à má qualidade do ar.

Na terça-feira (4), a série comparou diferentes padrões de medição da poluição do ar. Para Organização Mundial de Saúde, 50µg de poluentes por metro cúbico de ar é o máximo tolerado para que não haja prejuízos à saúde. Enquanto isso, em São Paulo, a CETESB considera que o ar não esteja bom somente a partir de 120µg/m³.

O episódio seguinte do Respirar teve como tema central as consequências da combustão do diesel de caminhões e de ônibus do transporte público. Os particulados que saem de escapamentos podem ser diminuídos conforme a porcentagem de biodiesel no diesel seja aumentada. Alguns achados da pesquisa realizada pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade com apoio da Aprobio foram divulgados.

As gestantes, os bebês ainda na barriga da mãe e os recém-nascidos foram os personagens principais do RespirAR de quinta-feira (6). Ao respirar a poluição, a mãe afeta a saúde do filho, causando, no futuro, alergias, doenças respiratórias, hipertensão e diabetes. Além disso, os poluentes diminuem a fertilidade de homens e mulheres, alteram a pressão de gestantes, podem causar mortes prematuras de bebês e até aumentar o número de casos de autismo e distúrbio de déficit de atenção.

O quinto dia da série tratou da frota de ônibus de São Paulo e qual combustível é usado na maioria dos casos. Em fevereiro de 2011, a Ecofrota, com ônibus movidos a 10% de diesel de cana, começou a rodar na capital, mas desde 2013 a quantidade de veículos vem diminuindo por conta de custos. A postura perante a remoção da Ecofrota vai contra as metas da Lei de Mudanças Climáticas para reduzir o uso de combustíveis fósseis nos ônibus.

Na segunda-feira (10) a inspeção veicular foi tema do RespirAR. Em São Paulo, a prática foi suspensa em 2013 por conta de irregularidades, mas nenhuma outra fiscalização a substituiu para impedir que veículos muito poluentes circulem pelas ruas da capital. 

As ciclovias estão sendo ampliadas em São Paulo, tomando grandes rotas como a Avenida Paulista. No entanto, para que as pessoas comecem a usar a bicicleta no cotidiano, e não apenas para lazer, diversos trechos precisam ser ligados ou até reparados e sinalizados. A série do SPTV na terça-feira (11) mostrou as condições de algumas ciclovias da cidade e quais caminhos precisam ser conectados.

O último episódio de RespirAR foi ao ar na quarta-feira (12) mostrando que é possível reduzir a quantidade de poluentes emitidos pelos carros mudando a maneira de conduzir os carros. Técnicas como a redução de marcha e de velocidade, além de desligar o carro em congestionamento pesado ajudam a economizar combustível e dinheiro – além de contribuir com a qualidade do ar.