Coalizão Respirar elenca, em manifesto, medidas de incentivo para a retomada da economia, com propostas mais sustentáveis e eficientes

Durante o período de pandemia, já é possível respirar um ar mais limpo em várias cidades mundo afora – efeito direto da redução de atividades como a circulação de veículos motorizados, das atividades industriais e agrossilvopastoris. Considerando a volta das atividades pós-pandemia e visando a garantia de direitos fundamentais à vida, à saúde e a um meio ambiente equilibrado, mais de 20 entidades, que compõem a Coalizão Respirar, assinam um manifesto, em que solicitam alternativas para uma retomada justa para todos.

No documento, as entidades pedem que a retomada das atividades econômicas seja feita com incentivos à redução do uso do transporte, uso de veículos coletivos com energia limpa e a melhores condições de uso de transporte ativo. Ressaltam, também, que a manutenção das florestas, em especial a Amazônica, é essencial para a vida e desenvolvimento do país, por afetar diretamente a qualidade do ar nas cidades – quando há queimadas -, por assegurar as chuvas nas lavouras e equilibrar o clima. Por isso, o manifesto também pede que o desmatamento seja zerado e as queimadas sejam contidas. Além disso, considera que aprovação da Política Nacional de Qualidade do Ar e a atualização dos padrões de qualidade do ar estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde são fundamentais para uma retomada que permita a manutenção do ar limpo para uma melhor qualidade de vida e saúde da população.

“Dados mostram que a poluição do ar mata mais de sete milhões de pessoas no mundo anualmente, sendo que só no Brasil, em 2016, foram mais de 44 mil óbitos. Mais de 600 mil crianças, com menos de cinco anos, morrem em todo o mundo em decorrência das emissões de gases de veículos, produção de energia a partir de combustíveis fósseis, incineração de resíduos, queimadas e grilagem de terra”, explica Pedro Hartung, coordenador do programa Prioridade Absoluta, do Instituto Alana.

A temática da qualidade do ar ganhou relevância nesse período depois que pesquisas recentes correlacionaram a poluição atmosférica ao agravamento da pandemia, além de haver a hipótese, em estudo, de que a poluição por particulados seja  um dos fatores de disseminação do vírus. Estudos demonstraram que, durante as medidas de isolamento social, houve a redução da poluição do ar na China,  Europa, Rio de Janeiro e São Paulo e, à medida que as populações retomam suas atividades regulares, observa-se que, gradativamente,  os níveis de poluição têm aumentado.

“Chama a atenção o efeito da poluição do ar (e por diversos poluentes) no aumento de casos novos da Covid-19 e piora de sua letalidade. Um estudo de Harvard em 3000 cidades americanas, concluiu que as cidades mais poluídas por particulado fino há 15 anos apresentaram o aumento de 15% na taxa de mortalidade pela doença – tornando-se a poluição atmosférica, um fator ambiental potencial alvo para o combate no agravo da pandemia”, alerta Evangelina Vormittag, diretora do Instituto Saúde e Sustentabilidade.

Assinam o manifesto as seguintes entidades: BH em Ciclo, Bike Anjo, Ciclocidade, Cidadeapé, Cidade Ativa, Coalizão Clima e Mobilidade Ativa, Como Anda, Corrida Amiga, Desvelocidades, Engajamundo, Fundação Avina, Greenpeace Brasil, ICCT, Instituto Alana, Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, Instituto de Energia e Meio Ambiente, Instituto Saúde e Sustentabilidade, ITDP Brasil, Mobilidade a Pé, Movimento Nossa BH, Nossa São Paulo, Observatório do Clima, Purpose e União de Ciclistas do Brasil – UCB.