Nesta terça-feira (23/09), foi lançado o Manifesto por ar limpo, documento que tem como objetivo alertar os setores públicos, privados e a sociedade brasileira para a adoção de medidas imediatas e urgentes quanto à preservação e recuperação da qualidade ambiental, que impacta na saúde pública. Um dos principais pontos é a revisão dos padrões nacionais de qualidade do ar, que está em discussão no Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA), para estabelecer novos índices que representem a real qualidade do ar, conforme recomenda a Organização Mundial da Saúde-OMS. O documento foi lançado durante o debate “Emergência em saúde pública: a qualidade do ar. Deixaremos o Estado de SP perder 35 vidas ao dia?”, realizado pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade, em parceria com o Ministério Público Federal, o Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental e a Rede Nossa São Paulo.

“Precisamos deixar claro que mudar o índice de medição da qualidade do ar não significa que deixaremos de ser uma cidade poluída. Mas com a revisão, ele traz a real situação e que devemos nos alertar ao problema”, explica Paulo Saldiva, médico especialista em poluição atmosférica e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

O documento foi construído com base em recentes estudos científicos realizados por especialistas do Instituto Saúde e Sustentabilidade e Faculdade de Medicina da USP, que apontam a poluição do ar como um grave problema de saúde, acarretando em morte precoce, projetada até 2030, de um contingente de 256 mil pessoas no Estado de São Paulo.

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Para Letícia Reis de Carvalho, representante do Ministério do Meio Ambiente, é preciso mobilizar todos os outros ministérios para o problema. “não é só um problema ambiental, mas envolvem questões como saúde e desenvolvimento, que precisam de envolvimento de todos”, ressalta Letícia.

Acesse aqui o Manifesto por ar limpo completo. E para assinar e apoiar a causa, acesse aqui a petição online. O documento será entregue aos Ministérios da Saúde e Meio Ambiente.

O encontro contou com a presença de representantes do poder público, da sociedade civil organizada, acadêmicos e especialistas na área da saúde e meio ambiente. Entre eles, a coordenadora da 4ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal, Sandra Verônica Cureau; o Procurador Regional da República lotado na Terceira Região (PRR3) e representante do Ministério Público Federal no CONAMA, José Leonidas Bellem de Lima; o Prof. Titular da Faculdade de Medicina da USP, Paulo Saldiva; a Diretora Presidente do Instituto Saúde e Sustentabilidade, Evangelina Vormittag; o Presidente do PROAM – Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental, Carlos Bocuhy; o coordenador executivo da Rede Nossa São Paulo, Maurício Broinizi Pereira, o consultor ambiental em emissões atmosféricas, Olímpio Alvares, e a Diretora Departamento de Qualidade Ambiental na Indústria (DQAM), do Ministério do Meio Ambiente, Letícia Reis de Carvalho.