Eduardo Viola, professor na Universidade de Brasília, participou do seminário Desmatamento Zero da Folha de S. Paulo e expôs as dificuldades da conferência que será em dezembro 

Em 1997, em Kyoto, no Japão, um protocolo ambiental de mesmo nome da cidade foi aberto para assinaturas. Hoje, o tratado internacional com compromissos rígidos para a redução de gases do efeito estufa é um dos mais difundidos pelo mundo e tem a aderência de 175 países – a Turquia foi a última a assinar, em 2008. Quase vinte anos depois, o acordo global se esvaziou e precisa ser atualizado. A 21ª edição da Conferência das Partes (COP) acontecerá em Paris, nos dias 7 e 8 de dezembro, para buscar um consenso global sobre os novos rumos das convenções climáticas.

Com 196 países membros confirmados, o encontro ambiental mais esperado do ano levanta expectativas e desafios. No seminário Desmatamento Zero, organizado pela Folha de S. Paulo, nos dias 21 e 22 de setembro, considerações sobre a COP 21 foram abordadas. Um dos convidados a refletir sobre o tema foi Eduardo Viola, professor titular do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB).

Segundo ele, de todos os países da Organização das Nações Unidas presentes em Paris, poucos são responsáveis pelas mudanças climáticas do planeta. Além disso, são poucos também que podem resolver problemas relacionados à emissão de gases de efeito estufa e à poluição. Aos demais convidados, como é o caso do Brasil, resta a posição de espectador. “O centro do sistema de carbono é formado pelos Estados Unidos, pela China, pela União Europeia e pela Índia, os maiores emissores do mundo. ” O segundo nível ao qual o professor se refere é composto por Rússia, Japão, Arábia Saudita, Turquia, Irã, Brasil, Coreia do Sul, entre outros, os mais conservadores quanto ao orçamento de carbono do mundo.

Os tratados internacionais, como o que será produzido em Paris, não tem “dentes”, de acordo com Viola. Eles não punem de maneira eficaz – ou de qualquer maneira – quem não cumpre os acordos de redução dos gases. Em âmbito nacional, a dificuldade se dá pela falta de políticas descarbonizantes no Brasil. Os governos têm estimulado práticas de alto carbono, como o pré-sal e a gasolina. Somado a isso, a falta de credibilidade na economia se alastra para a área climática. Para o professor, o país segue vivendo uma visão energética do século 20, ou ainda do 19.

Para começar a entender a COP 21 é preciso antes entender as dinâmicas dos players internacionais, ou seja, dos principais países emissores de gás do efeito estufa. As demandas e necessidades deste grupo podem ditar o que acontecerá em dezembro na capital francesa.