27/09/2013

Confira os resultados da pesquisa sobre poluição atmosférica em São Paulo lançada recentemente pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade

O Instituto Saúde e Sustentabilidade, com o apoio de especialistas da Universidade de São Paulo (USP), anunciou nesta segunda-feira, 23 de setembro, em comemoração aos 5 anos de existência, os resultados da pesquisa Avaliação do Impacto da Poluição Atmosférica no Estado de São Paulo sob a Visão da Saúde, que teve como objetivo realizar a análise dos dados ambientais de poluição atmosférica, do impacto em saúde pública (mortalidade e adoecimento) e sua valoração em gastos públicos no Estado de São Paulo, em função da adoção dos padrões de poluição atmosférica preconizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) durante o período de 2006 a 2011.

O estudo foi lançado durante o seminário Mobilidade Urbana e Poluição do Ar: A Visão da Saúde, evento que integrou a Virada da Mobilidade 2013, e teve a participação da sociedade civil, especialistas na área, representantes do poder público e da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental, a CETESB – órgão responsável pela medição de poluentes no Estado.

Os primeiros resultados mostram que as médias anuais de MP2,5 de todas as estações do Estado de São Paulo para todos os anos situam-se acima do padrão de 10 μg/m³ da OMS, a maioria entre  20 e 25 μg/m³. Sob o prisma das cidades, em 2011, todos os 29 municípios com estações, sem exceção, apresentam média anual de MP2,5 acima do padrão da OMS sendo que 21 delas situam-se acima dos níveis de 20 μg/m³ e 11 municípios estão acima ou igual aos níveis de MP2,5 da cidade de São Paulo (MP2,5 5 = 22,17 μg/m³), são eles: Americana, Araçatuba, Cubatão, Mauá, Osasco, Guarulhos, Paulínia, Santos, São Bernardo, São Caetano, São José do Rio Preto e Taboão da Serra.

Há uma relação direta entre poluição e densidade populacional. As regiões metropolitanas apresentam média anual e o mesmo padrão durante os seis anos muito similares as da Região Metropolitana de São Paulo, com exceção de Baixada Santista, mais alta, e Litoral Norte, mais baixa.

Em relação à mortalidade atribuível a poluição, o Estado de SP possui 17.443 mortes, Região Metropolitana de SP 7.932 e a capital paulistana, 4.655 óbitos. Se considerarmos as mortes atribuíveis no Estado de SP para todos os anos do estudo 2006 a 2011, a partir da publicação do Guia da OMS com os novos padrões a serem seguidos, temos 99.084 mortes, o mesmo que dizer uma cidade de 100 mil habitantes dizimada em seis anos. Há uma relação entre o nível de MP2,5 e a taxa de mortalidade entre os municípios: aqueles com os maiores níveis de MP2,5 são também os que possuem o maior risco de morte como, por exemplo, Cubatão, Osasco, Araçatuba, São José do Rio Preto e Araraquara.

Verifica-se, para o Estado, 68.499 internações públicas atribuíveis à poluição. Considerando a distribuição das causas no Estado de São Paulo, o maior percentual de internações atribuíveis à poluição corresponde a doenças respiratórias em adultos (38%), seguida das doenças cardiovasculares, com 33%. Há regiões metropolitanas em que prevalece a doença respiratória em crianças. Em 2011, para o Estado temos o DALY de 159.422 anos. A taxa de DALY para cada 1.000 habitantes no Estado de 3,8, ou uma perda de 1,39 dias de vida por morte prematura ou internação para cada residente no Estado de São Paulo, em decorrência da poluição atmosférica, no ano de 2011 para as doenças consideradas no estudo. O gasto público de internações por doenças cardiovasculares, pulmonares e câncer de pulmão atribuíveis à poluição na cidade de São Paulo, em 2011, foi em torno de R$ 31 milhões, correspondendo a 0,51% do orçamento para aquele ano. Os gastos públicos e (suplementar) privado de internações pelas mesmas doenças descritas no Estado de São Paulo, em 2011, foram respectivamente, em torno R$ 76 milhões e R$ 170 milhões, totalizando os gastos em R$ 246 milhões no Estado.

Para conferir mais dados e  completos, clique aqui e acesse a pesquisa na íntegra. A apresentação com os resultados compilados pode ser encontrada aqui.