A Conferência Doutores do Ambiente aconteceu em São Paulo, no dia 28 de novembro de 2009, no salão nobre da Associação Paulista de Medicina. Foi organizada pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade, em parceria com a Associação Médica Brasileira (AMB) e a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

O evento é parte de um projeto do Instituto, o Observatório de Sustentabilidade Urbana para Megalópole São Paulo – Foco em Saúde. Tornou-se um verdadeiro ato de cidadania ao divulgar um novo olhar sobre a cidade de São Paulo, como se ela fosse uma paciente doente. Essa visão é fruto da interlocução de diversos especialistas reunidos no Workshop São Paulo; Sustentabilidade, Saúde e Cidadania que, em conjunto, apontaram as questões ambientais envolvidas nos processos de desenvolvimento urbano de São Paulo que interferem na saúde da sua população (diagnóstico das doenças) e propuseram soluções (medidas corretivas e preventivas) e que visam, a partir dessa nova perspectiva, propor discussões e soluções em prol de uma cidade mais saudável e mais sustentável. Entretanto, a parte mais eficiente para tratar as doenças da cidade cabe aos governantes, responsáveis pelas decisões no poder público e que, por este motivo, foram chamados de “Doutores do Ambiente”. Sob este prisma, a Conferência contou com a participação de especialistas renomados em Saúde e em Meio Ambiente, além de representantes do governo, ministério público e sociedade civil. Ao todo foram 171 presentes.

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A abertura do evento contou com a participação do Prof. Dr. Marcos Boulos, diretor da FMUSP e do Dr. Dana H. Hanson, presidente da Associação Médica Mundial (WMA). O Dr. Hanson destacou que na recente Assembléia Mundial Anual da WMA em Nova Deli  a WMA definiu a questão ambiental (poluição e mudanças climáticas) como o maior desafio de saúde pública no século XXI e elaborou um documento sobre o assunto denominado Declaração de Deli. O documento foi distribuído aos participantes durante a Conferência.

Dr. Dana Hanson

O Prof. Dr. Paulo Saldiva, professor titular do Departamento de Patologia da FMUSP, falou sobre a questão ambiental sob a óptica da saúde. Ele comparou a cidade com uma paciente doente que teria, entre outros sintomas, febre, devido ao aumento da temperatura, e edema, devido ao elevado número de habitantes. Para exemplificar a analogia, o professor apresentou um vídeo durante a sua palestra.

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Saldiva ressaltou que a atitude do profissional da saúde deve, sim, envolver o esclarecimento aos pacientes sobre as conseqüências adversas à saúde decorrentes das ações de poluentes e das mudanças climáticas. Mais do que isso, é imperativo que a ação deste profissional envolva liderança, parceria com a sociedade civil, consagração de conceitos de limites para a degradação ambiental, ética e coragem.

Sr. Carlos Nobre

O panorama das mudanças climáticas do ponto de vista ambiental foi apresentado pelo Sr. Carlos Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Após a apresentação de Nobre, seguiram-se as palestras de três representantes do governo. O Dr. Sérgio Cortizo, da Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, falou sobre o tema “O Brasil e as Mudanças Climáticas”. O Sr. Casemiro Tércio, Coordenador do Departamento de Planejamento Ambiental da Secretaria de Estado do Meio Ambiente de São Paulo, discorreu sobre o planejamento estratégico do Estado de São Paulo frente aos desafios impostos pela mudança climática e poluição ambiental. Já o Dr. Eduardo Jorge, Secretário do Verde e Meio Ambiente do Município de São Paulo, discorreu sobre como se dá o diálogo entre meio ambiente e saúde na cidade de São Paulo. Um dos exemplos citados pelo Secretário foi a utilização de biogás de aterro sanitário para a produção de energia elétrica na zona Leste.

Dr. Eduardo Jorge

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O último bloco do evento foi uma mesa redonda denominada “Como transformar conhecimento em ações efetivas na área de saúde e meio ambiente?”. Coordenada pelo Prof. Dr. Adib Jatene, contou com a participação dos presidentes de entidades médicas: Dr. José Luiz Gomes do Amaral (AMB), Dr. Jorge Carlos Machado Curi, (APM) e Dr. Antonio Carlos Chagas (Sociedade Brasileira de Cardiologia). Representando o Ministério Público estava a Promotora de Justiça Dra. Cristina Godoy de Araújo Freitas.

Prof. Dr. Adib Jatene

A Dra. Evangelina da M. Pacheco A. de Araujo Vormittag, Diretora Presidente do Instituto Saúde e Sustentabilidade, encerrou o evento. Segundo a Dra. Evangelina, a Conferência foi uma valiosa oportunidade para o entendimento da importância da inter-setorialidade na luta frente ao grande desafio das mudanças climáticas e para a troca de conhecimentos relacionados à proteção do meio ambiente e da Saúde.

Para o Instituto Saúde e Sustentabilidade, a Conferência foi um importante passo rumo aos seus objetivos como entidade. O sucesso da mesma conferiu credibilidade e consistência ao Instituto, sendo um grande estímulo para prosseguir com seu trabalho.

 Veja o artigo publicado sobre a Conferência na revista da AMB.