Sirenes de ambulâncias, tráfego intenso, obras em edifícios, festas e música altíssima nos fones de ouvido. Essa ‘overdose sonora’ – a que somos submetidos voluntária ou involuntariamente – pode trazer consequências nada agradáveis à audição, principalmente para os mais jovens, que já incorporaram o hábito de ouvir diariamente música por meio de fones que conduzem o som alto diretamente ao canal auditivo. E são os próprios médicos e fonoaudiólogos que alertam: a juventude deve ter mais consciência quanto aos riscos do som alto e proteger a audição sob pena de ter perda auditiva antes de envelhecer.

Para muitos jovens, ouvir música alta por meio de fones de ouvido dá mais disposição e ajuda a abafar o barulho da cidade. Porém, o que eles não sabem é que no futuro poderão depender mais de aparelhos de audição, pois ao se expor a uma intensidade sonora acima de 80 decibéis por um longo período diariamente pode provocar danos irreversíveis na audição com o passar do tempo – de acordo com o tempo de exposição e a predisposição genética de cada indivíduo.

Segundo a fonoaudióloga Marcella Vidal, da Telex Soluções Auditivas, é importante fazer exames de audição desde cedo. “Recomendamos aos jovens que usam fones de ouvido com muita frequência que façam uma avaliação chamada audiometria, um exame que informa se o paciente já apresenta perda de audição. A partir disso, podemos saber como proceder e evitar o agravamento do problema”, explica Marcella.

De acordo com estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), 360 milhões de pessoas sofrem de perda de audição no mundo. A médica da OMS, Regina Ungerer, defende medidas de prevenção, principalmente para quem mora em centros urbanos, por causa da exposição a ruídos acima de 80 a 90 decibéis. “Temos que estar numa faixa sempre abaixo disso, mas quem mora em cidades grandes, com muito barulho de carros, ônibus, buzinas, e até quem convive com o volume alto nos fones, que de uns 15 anos para cá estão nos ouvidos de uma grande maioria, tem que tomar cuidado. Tudo isso, em conjunto, pode provocar surdez em tempo menor do que antigamente”, ressalta Ungerer.