POR BBC NEWS BRASIL

Você talvez nunca tenha ouvido falar de Ulã Bator.

A capital da Mongólia possui o pior nível de poluição do ar do mundo.

A situação é tão grave que até âncoras de TV usam máscaras para apresentar o noticiário.

A repórter da BBC Stephanie Hegarty viajou a Ulã Bator para conferir de perto como a poluição afeta o cotidiano dos mongóis.

“É manhã aqui em Ulã Bator e as pessoas estão indo ao trabalho, se aprontando para a escola. E eu posso sentir o cheiro da poluição. É tão espessa que sinto até o gosto dela.”

“Tenho um monitor de poluição aqui que mostra PM2.5, que são essas minúsculas partículas que penetram profundamente em nossos pulmões. Por isso, elas são tão perigosas.”

“Há um minuto, o monitor marcava 999, o valor máximo. O nível considerado seguro não deve ultrapassar 25”.

Mas como a qualidade do ar aqui ficou tão ruim?

As vastas planícies do país podem oferecer uma resposta.

O aquecimento global vem afetando as plantações. Por causa disso, muitos camponeses acabam decidindo deixar suas casas.

O destino é Ulã Bator, onde atualmente vive, 1,4 milhão de pessoas, metade da população da Mongólia.

“Para se aquecer, eles queimam carvão, mas isso está sufocando a cidade”, diz a repórter.

Nos hospitais, o número de crianças internadas com problemas respiratórios vem crescendo dia após dia.

“No inverno passado, havia 270 crianças por dia em nossa emergência. Neste ano, já chegamos a 300. Tratamos essas crianças da melhor forma possível, mas fico com o coração partido ao vê-las sempre doentes”, diz a médica Ganchuluun Zundui.

Ela não tem dúvida de que o motivo é a poluição do ar.

Seu maior temor é de que haja uma epidemia de câncer de pulmão.

Isso pode parecer exagerado, quase apocalíptico, mas os mesmos problemas ocorrem ao redor do mundo.

Se não solucionarmos o êxodo rural descontrolado, a poluição crônica e o aquecimento global, colocaremos nosso futuro em risco.