Como educar dá trabalho! Você já teve a sensação de fracasso a cada choro ou mal criação? Já teve vontade de gritar mas se controlou em nome do bom exemplo? De vez em quando dar mal exemplo faz parte da natureza, mas ainda assim somos autoridade!

Aprendi na prática que colocar as descobertas da neurociência a nosso favor é o caminho mais seguro e eficiente para educar o cérebro de pequenos “tiranos”, porém, certamente não é o mais rápido. Segundo o dicionário, tirania é “a violação das leis e regras pré-estipuladas pela quebra da legitimidade do poder”, portanto, onde há um tirano não há governo! Mas que diabos a neurociência tem a ver com isso?

Mais uma vez Freud e a neurociência explicam! O que rege o ser humano é o princípio do prazer e por prazer entende-se, amor, afeto, satisfação das necessidades, diversão, enfim, experiências que envolvem recompensas positivas. Se nos for permitido tê-las todas, de preferência, iremos batalhar para mantê-las e multiplicá-las! E quanto mais inteligentes mais árduas serão as batalhas.

No entanto, sabemos que o mundo não é feito de “mães” e ambientes sempre prazerosos, muito pelo contrário! O que não nos damos conta é que nossos filhos ainda não sabem disso. Para eles, a “sociedade” é sua família. Apenas com o avanço da idade e maturidade aprendem que sociedade é algo muito maior e mais complexo, percebem que, até então, estiveram “ensaiando” papéis e valores sociais através das relações familiares.

Imagine uma pequena civilização, de dinâmica fácil que não “precisa” de organização nem de muitas regras mas, ainda assim, continua crescendo, crescendo, crescendo até que se torna tão grande e complexa que caminha desorganizadamente sem limites estabelecidos. Controlar essa sociedade “crescida” é, sem dúvida, um grande desafio!

Assim como a sociedade, os seres que a compõem, precisam de regras claras desde o início para que possam funcionar de maneira saudável. Quanto mais natural, sincera e segura, mais coerente e consistente seremos. Portanto, a resposta está em você! Cada um de nós tem sua resposta. Por sermos pessoas diferentes utilizamos processos distintos para alcançar um denominador comum: a educação.

Segundo a psicanalista austríaca Melanie Klein, a mãe suficientemente boa é aquela que tanto cuida quanto frustra. A neurociência concorda, afirmando que o cérebro precisa lidar com as experiências negativas para cumprir sua função primordial na evolução, ou seja, ser adaptativo, isto é, estar preparado para lidar com situações semelhantes no futuro e “tirar de letra”.

O cérebro é dotado de imenso potencial em múltiplas tarefas e dimensões desde artísticas, interpessoais, matemáticas, físicas, linguísticas, etc. No entanto, ainda não possui capacidade de organizar, planejar, priorizar, monitorar ou selecionar o melhor caminho para desenvolvê-las. Essas funções executivas são de responsabilidade do lobo pré-frontal que, curiosamente, só se torna “adulto” por volta dos 20 anos! Por conta disso, é uma região extremamente suscetível a influência ambiental.

Estudos têm mostrado que desde antes do nascimento os bebês já aprendem. Sabemos que quanto mais simples for o sistema, mais fácil será controlá-lo e lhe ensinar regras. Por sistema refiro-me ao cérebro em crescimento e transformação. A cada novo aprendizado o cérebro se modifica física e funcionalmente na interação entre a genética e o ambiente.

Como mães, não acreditamos que um ser tão pequenino precisa de regras ou limites, medidas que necessitarão mais tarde quando crescer. Ledo engano! A neurociência diz exatamente o contrário, quanto mais novas as crianças mais terão necessidade de orientação, limites e regras. O ponto-chave dessa história é o que toda mãe ou pai se perguntam; como colocar limites sem traumas ou violências ?

Para ser educado, o cérebro precisa de exemplos permeados de amor e carinho, valores bem definidos, colocados em prática diariamente. Fazendo isso do seu jeito, você estará a caminho do sucesso, lembrando sempre que ser mãe ou pai é estar consciente de seus atos e, muitas vezes, abrir mão do princípio do prazer, dando o exemplo, seja ele prazeroso ou não.