Mesmo com o Decreto de 2013 que alterou a quantidade máxima do poluente, o número ainda é o dobro do preconizado pela OMS.

Um estudo realizado pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade, com dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, a CETESB – órgão responsável pela medição de poluentes no Estado – revelou que todos os 29 municípios do Estado de São Paulo que possuem estação para medir a poluição atmosférica estão com os níveis de MP2,5 acima dos preconizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Osasco está na segunda posição do ranking chegando a uma média anual de 30,03µg/m³ em 2011. O limite anual, segundo a OMS, é de 10µg/m³. O estudo foi realizado entre 2006 e 2011 e são os dados mais recentes divulgados sobre o assunto.

Vale destacar que, ao contrário do que muitas pessoas pensam, o estudo mostra que a cidade de São Paulo não lidera o ranking, mas sim, Cubatão. Em seguida estão Osasco, Araçatuba,  Guarulhos,  Paulínia,  São  Bernardo  do  Campo,  Santos,  São  José  do  Rio  Preto,  São  Caetano  do  Sul,  Taboão  da  Serra  e Mauá. “Osasco está entre as três primeiras cidades com pior índice provavelmente pela grande quantidade de veículos e a presença de indústrias”, explica Evangelina Vormittag, responsável pelo estudo e presidente do Instituto Saúde e Sustentabilidade.

O MP2,5 (material particulado fino) é uma poeira fina emitida principalmente por veículos, indústrias e queima de cana-de-açúcar.   “No corpo humano,  essa  partícula  tem  efeitos causadores de doenças respiratórias, doenças isquêmicas cardiovasculares e cerebrovasculares e câncer de pulmão”, alerta Evangelina. No período da realização do estudo, Osasco registrou 1.267 internações devido a estes problemas de saúde, gerando gastos de R$ 2.233.844 à saúde pública. Dessas internações, 330 são relacionadas a doenças respiratórias em adultos e 502 a doenças cardiovasculares. No Estado de São Paulo, foram 68.499 internações públicas.

Outra informação revelada pela análise são os efeitos da poluição atmosférica na saúde de duas maneiras: mortalidade atribuível e o DALY (Disability Adjusted Life Years) que possui dois componentes: o número de anos perdidos por morte precoce e o número de anos de vida vividos com incapacidade. Este é um parâmetro criado pela OMS para apontar a carga de dano de doenças no mundo. Essa medida não indica apenas a mortalidade, mas também a perda de qualidade de vida por doenças respiratórias, cardiovasculares  e  câncer  de pulmão  atribuíveis  à poluição atmosférica – especificamente o poluente material particulado, objeto do estudo. No Estado de São Paulo, foram 17.443  mortes  e em Osasco, 428.

Segundo a OMS, os limites máximos anuais de MP2,5 devem ser de uma média 10µg/m³. No entanto, mesmo com o Decreto 2013, que reduziu  o  padrão  paulista,  ainda  significa  o  dobro  desta quantidade quando se trata da média anual e mais que o dobro quanto se trata da média diária, 20 µg/m³ e 60 µg/m³, respectivamente. Nenhum dos 29 municípios que participaram do estudo por terem estações de medição apresentou um nível dentro dos limites preconizados pela OMS. “Esta conclusão é alarmante, pois o Brasil está absolutamente fora do padrão mundial e não há políticas públicas para a resolução desse problema”, lamenta Evangelina.