Quantas vezes, diante de comportamentos inadequados dos filhos, nos perguntamos como deveríamos agir, punir ou ensinar? Como fazer uma criança pequena obedecer ou um adolescente estudar? Essas, e infinitas outras perguntas inundam nossas mentes como pais amorosos e preocupados com a educação de nossos filhos. A Dra. Lidia Weber, psicóloga há 24 anos, professora de pós-graduação da Universidade do Paraná, é também autora do livro “Eduque com Carinho” onde lista e explica 12 princípios fundamentais para uma educação positiva. A educação é pautada nos princípios da abordagem comportamental cognitiva e vem se consagrando, tanto no meio clínico quanto no científico, como abordagem efetiva e manejo de comportamentos ligados à dificuldades psicológicas, neuropsicógicas, acadêmicas e/ou sociais.

Princípio 1. Amor incondicional

Princípio 2. Conhecer os princípios do comportamento

Princípio 3. Conhecer o desenvolvimento de uma criança

Princípio 4. Autoconhecimento

Princípio 5. Comunicação positiva

Princípio 6. Envolvimento

Princípio 7. Usar consequências positivas: reforçar, elogiar, valorizar

Princípio 8. Apresentar regras

Princípio 9. Ser consistente

Princípio 10. Não usar punição corporal, mas consequências (?) lógicas

Princípio 11. Ser um modelo moral

Princípio 12. Educar para a autonomia

Parece perfeito, mas o que tudo isso quer dizer na prática? Vamos falar um pouquinho desses princípios…amar incondicionalmente quer dizer aceitar todos os erros? Não ter critica? Não! É saber como e o quê criticar. É muito importante não confundir a criança com o que ela faz, você pode não gostar de como seu filho se comportou mas não deve deixar de amá-lo por isso. Por exemplo, em vez de dizer “você é um egoísta”depois dele ter comido todos os biscoitos e não ter deixado para o irmão, você deveria dizer “eu não gostei que você comeu todos os biscoitos, da próxima vez deve dividir com seu irmão, certo?. Portanto, a crítica deve ser ao comportamento e não a pessoa! Só conseguimos amar incondicionalmente quando separamos a pessoa do comportamento. Você o ama simplesmente porque é seu filho, você tem responsabilidades e a tarefa de educá-lo. É um amor que não depende do que seu filho faz de bom ou de ruim, e isso precisa ficar claro para ele.

Amar incondicionalmente não é só elogiar, dizer coisas boas, presentear, mas é aceitar o seu filho, valorizar as atividades e as escolhas que seu filho está fazendo…Parece simples, mas não é tão simples assim!

Os pais podem achar que amar demais uma criança pode levá-la a ser mimada, mas amar demais não existe! O que existe é superproteger, ser permissivo ou ser intrusivo (sufocar), mas isso não é amar demais. Quanto mais amada a criança se sente, melhor ela aceita as regras e desenvolve amor e compaixão pelos outros. Em termos neurobiológicos, o cérebro da criança é inundado pela dopamina (neurotransmissor) que ativa as regiões de recompensa do cérebro, produzindo prazer a cada sensação de amor! Desta forma, esse pequeno “cérebro aprendiz” estará se formando em bases sólidas de prazer e conforto, chaves para o desenvolvimento saudável e da inteligência social.

Uma das coisas mais importantes na vida de uma pessoa é a autoestima, o quanto a pessoa sabe valorizar seus atributos, suas qualidades. Autoestima é o juízo que cada um tem do seu próprio valor, e é fundamental para nossa vida. Se eu reconheço meu valor posso ir adiante, enfrentar frustrações e desafios na vida e não enfraquecer ou fugir diante de dificuldades. Por exemplo, uma criança que diz “eu tirei nota boa na prova porque estudei”, mostra um estilo explicativo positivo e otimista e boa autoestima, ou seja, ela entende que pode conseguir as coisas na vida se fizer esforço. Outra criança pode dizer “eu tirei nota boa na prova porque tive sorte” ou “porque a professora foi legal”, refletindo que não acredita em seu esforço. Cada um de nós precisa ter orgulho de si próprio, deve ser capaz de acreditar que pode fazer acontecer. Essa característica é adquirida na infância. Em primeiro lugar são os pais que valorizam o filho, mostram que ele é importante, mostram consequências boas após seus comportamentos, ensinam-lhes autocontrole, etc. Esse comportamento dos pais, cria uma espécie de autoregras para a criança, isto é, um conjunto de regras aprendidas que vai servir de base para a criança entender o mundo. Por exemplo, ter a regra de que se ela estudar vai tirar notas boas é muito melhor do que ter a regra de que a nota depende da sorte. Uma ação interessante é ensinar a criança a valorizar o seu próprio esforço dizendo, por exemplo, “você tirou nota boa em matemática porque prestou atenção na aula” e não “você tirou nota boa em matemática porque é bom em matemática”. Não é bom pensar “eu sou bom ou ruim nisso ou naquilo”, é importante aprender que é preciso trabalhar e se esforçar para ser bom em alguma coisa, mesmo tendo eventuais talentos genéticos. Sempre é preciso valorizar o processo e o resultado! Por exemplo, o pai que diante de um 9,5 do filho lhe diz “mas porque não tirou 10,0?” está sendo destrutivo e deixando a mensagem de que a criança só tem valor se for perfeita, se for o máximo, que o resultado é que vale e não o desempenho e o esforço.

Resiliência é outra palavra-chave da atualidade, a qual, o amor incondicional ajuda a construir. Resiliência é um conjunto de habilidades que envolvem capacidades de enfrentar e superar as adversidades da vida. Uma criança que possui resiliência é aquela capaz de lidar mais efetivamente com o estresse, com os desafios de cada dia. Pesquisadores vêm mostrando, que essa capacidade tem suas raízes na interação com os pais que incorporam na educação doses de empatia, otimismo, amor incondicional, capacidade de comunicação ativa e paciência. Portanto, bons pais significam filhos resilientes. Crianças resilientes também tem autoestima elevada, autoconfiança e sabem o seu valor, são socialmente competentes e tem alto senso de autonomia. Amor incondicional e elogios específicos são como injeções de autoestima, mas também devem haver críticas construtivas. É importante a criança vivenciar frustrações e ter modelos dos pais de como enfrentar o estresse e as coisas difíceis. Você pode ajudar seu filho a refletir sobre seus comportamentos e sentimentos, “você estava brincando com o carrinho do seu irmão e acabou quebrando-o, o que você acha disso?”. Desta forma, você estará incentivando a autoreflexão, isto é, refletir e avaliar seu próprio comportamento e ter visão crítica sobre si mesmo.

Nos próximos artigos, continuaremos falando sobre os outros 11 princípios citados acima. Aguarde o próximo sobre “conhecer os princípios do comportamento”.

Referência:
“Eduque com carinho” Equilíbrio entre amor e limites. Lidia Weber. Editora Juruá.