“Na direção em que curvamos o broto inclina-se a árvore”( Alexander Pope).
Atualmente, eu diria; “Dependendo de como curvamos o broto inferimos a inclinação da árvore”
Durante o café da manhã corrido com as crianças atrasadas para escola, na rotina de ajudar nas tarefas de casa, ler um livro antes de dormir, comparecer ao campeonato de tênis ou futebol, apresentações de balé, piano ou bateria, levá-los à festinhas infantis ou baladas adolescentes, estamos nos envolvendo e educando! Somos influenciados por nossa história, nossos desejos, frustrações e crenças ensinando-os quem são, como agir… -ou não…- em determinadas situações cotidianas, pessoais e sociais. Filhos são expectadores atentos e perspicazes, que captam e repetem atitudes e comportamentos incrementados por estilo próprio e pessoal.
Além dos pais, os amigos exercem imensa influência na educação das crianças. Desde pequenos, aprendem muito na interação com crianças da mesma idade ou idade semelhante. A identificação com o “igual” parece facilitar a aquisição de informações e comportamentos adequados à realidade social de cada faixa etária. Prova disso é a evolução visível quando a criança começa a frequentar creche ou escola. Neste momento, a convivência com os pares é chave, considerando a imersão da criança na vida social.
O envolvimento dos pais é diferencial para modelar a influência social e equilibrar as demandas externas e internas da criança. Nós pais atuamos como “balanças” entre o grupo e o indivíduo, entre o racional e o emocional na dinâmica sociocultural a qual nossos filhos crescem e se desenvolvem. No entanto, se não houver envolvimento dos pais e respeito mútuo a “balança” perde seu valor e, portanto, não teremos controle sobre o quê nossos filhos estarão sendo expostos, como ou com quem estarão convivendo e aprendendo.
Cada um de nós é resultado da interação genética versus ambiental, portanto, reagimos, pensamos, sentimos ou nos comportamos de determinada maneira dependendo da qualidade de nossas interações com o ambiente. Por ambiente entende-se família, sociedade e cultura. Portanto, calma! Não somos culpados pelos pecados do mundo! Temos apenas 35% de responsabilidade! Que alívio!  Parece brincadeira mas quando o assunto são filhos os pais chegam carregando o mundo nas costas! Na verdade, educar requer esforço e dedicação como qualquer outra coisa como, por exemplo, ter sucesso profissional, ganhar um prêmio de honra-ao-mérito, emagrecer sem remédio, se manter saudável e bem cuidada, se manter atualizada e bem informada. Da mesma forma, educar requer envolvimento diário de qualidade, com carinho e autoridade. Como o gênio Einstein dizia: “o sucesso vem de 1% de inspiração e de 99% de transpiração”, citado na reportagem “Armas de Educação em Massa” na revista Vejadesta semana.
Alguns de vocês, caros leitores, devem estar se perguntando mas como como me envolver de tal forma que gere cumplicidade, respeito e admiração e não raiva, revolta e isolamento? Usando analogia com o futebol; a bola esta no nosso campo, somos “o técnico” do time e nossos filhos os jogadores, não podemos fazer as jogadas por eles, muito menos os gols, mas somos a base, a referência, damos as ferramentas e a segurança que cada um dos jogadores precisa para acreditar em seu potencial, alimentar sua motivação, justificar seu esforço e correr para o abraço! Como técnicos, vamos festejar os gols com muita alegria mas, o mais importante, é abraçar os jogadores com a mesma admiração quando o time perder um gol ou um campeonato! Isso é envolvimento!

Voltando a vida real. Procure ter um momento “família” para conversar e colocar os assuntos em dia, saber sobre a escola, que professora mais gosta ou mais odeia, que tipo de matéria ou atividade se identifica, o que gosta ou não de fazer junto com o pai ou a mãe, programa de televisão ou filmes favoritos e outros assuntos afins. É importante conhecer os amigos do seu filho, conversar com eles e saber de suas vidas. Sempre incentive autonomia, independência e valorize a opinião de seu filho.

Portanto, a chave para o envolvimento é prestar atenção no que nossos filhos dizem e fazem, ensinando regras, atitudes positivas, cooperação, respeito, responsabilidade e humor (ter humor é fundamental!), valorizando e respeitando a individualidade de cada um.

Vamos lá treinador, seu time o aguarda!!!

Bibliografia e para saber mais:

Steven Pinker, 2002. Tábula Rasa, a negação contemporânea da natureza humana. Editora Companhia das Letras.

Lídia Weber, 2005. Eduque com Carinho: Equilíbrio entre amor e limites. Editora Juruá.

Lewis Center of Educational Research – Califórnia