Vocês já ouviram falar em Neuro-Educação? Sim! São os nossos cérebros que vão para escola! É incrível como temos a tendência de separar tudo! mente-cérebro-corpo são uma única entidade, assim como todas as disciplinas aprendidas na escola são possibilidades, partes, explicações sobre o mundo em que vivemos. A Neuro-Educação busca justamente misturar os campos da neurociência, psicologia, ciência cognitiva e educação para criar melhor compreensão de como aprendemos e como esta informação pode ser usada para criar métodos de ensino mais eficazes, programas e políticas educacionais. Embora recente como disciplina de pesquisa, essa iniciativa já vem abrindo novas críticas e diálogos entre educadores, pais e cientistas do cérebro.

De acordo com o secretário de educação dos EUA, a educação é um caso de saúde pública não apenas nacional mas sim global. Inovação e pensamento criativo não estão sendo ensinados, praticados ou cultivados na vida de nossas crianças. Já Imaginou o quanto a escola será chata e desmotivante se não evoluir junto com a mente/cérebro dos jovens? Ah sim! Para muitos ela já é desmotivante! Então me pergunto; são as crianças que estão “desatentas e hiperativas” e por isso não vão bem na escola ou será que é a escola que está inadequada e desmotivante e por isso as crianças estão “desatentas e hiperativas”?

Não dá para negar que as demandas dos aprendizes de hoje são muito diferente das de outras gerações. Quando entro no quarto do meu filho de 11 anos e o vejo estudando, ouvindo musica e mexendo no computador ao mesmo tempo, me dá a sensação de que o bombardeio de informações simultâneas vai atrapalhar seu aprendizado. No entanto, para o meu cérebro isso pode ser verdade, mas para o dele talvez não! Pelas suas notas tenho de admitir que estes “bombardeios” não tem atrapalhado. Será que as crianças do século 21 serão capazes de dividir a atenção em diversas tarefas e ainda assim executá-las bem? Se depender de estímulos e novas tecnologias essa habilidade certamente será bem desenvolvida!

Mas vocês devem estar se perguntando como exatamente a neurociência pode ajudar na educação? Imagine poder compartilhar o que sabemos sobre aprendizagem multisensorial com as novas mães ou educadores. O que poderia ser dito sobre os efeitos de ambientes estimulantes no desenvolvimento do cérebro? Imagine poder explicar a um professor do ensino médio o que é função executiva e como ela pode influenciar o julgamento ético de seus alunos. Ser capaz de usar o que sabemos sobre as regras de aprendizagem para projetar uma sala de aula que contribua para o desenvolvimento das crianças. Imagine poder usar nosso conhecimento sobre o funcionamento do cérebro para ajudar a prevenir, reverter ou impedir danos ao cérebro por abusos, negligências ou mesmo desnutrição infantil. Ou como seria a rotina de uma escola que incorporasse a compreensão de fatores biológicos atuantes sobre o estresse e o sono na capacidade da criança aprender e lembrar.

Então o melhor para educação seria levar educadores para o laboratório e neurocientistas para a sala de aula?! De certa forma sim! Mas o mais importante é ambos dialogarem e juntos elaborarem uma neuro-pedagogia que possa ser utilizada na prática educacional. Unindo as forças, as disciplinas, as partes e pensando no todo para um futuro melhor para educação!

Carew, T.J and Magsamen, S.H. Neuroscience and Education: An ideal partnership for producing evidence-based solutions to guide 21st century learning. Neuron, 67, September 9, 2010.