Princípio 1. Amor incondicional

Princípio 2. Conhecer os princípios do comportamento

Além de amar incondicionalmente nossos filhos, como discutimos no artigo anterior, é importante conhecermos os princípios do comportamento, isto é, como comportamentos são estabelecidos, mantidos ou eliminados. A interação entre a genética e o ambiente influenciam o que aprendemos e como nos comportamos, portanto, tão forte quanto a genética é o papel dos pais na educação de uma criança.

A psicologia nos mostra que existem três grandes fatores que influenciam nosso comportamento; a herança genética, filogenética; a história de vida, isto é, o que aprendemos desde o nascimento; e a história cultural. A principal característica do cérebro humano é a plasticidade ou adaptabilidade, ou seja, a capacidade de mudar de acordo com as demandas do ambiente para responder de maneira mais adequada ao mesmo. Por exemplo, um bebê com fome chora para comunicar a sensação desagradável e tentar se adaptar à nova realidade, onde o alimento não chega continuamente como durante a vida intra-uterina. Uma vez atendido e alimentado com leite materno, esse bebê aprende que se comportando desta forma será saciado. No início, os aprendizados são simples e aos poucos vão se sofisticando no momento em que outras relações vão sendo construídas durante o desenvolvimento.

A aprendizagem é a maneira pela qual todas as pessoas interagem com seu ambiente e também são modificadas por ele. É muito importante prestar atenção no que vem antes (antecedente) e o que vem depois (conseqüente) de um comportamento, pois tais eventos controlam e fortalecem o comportamento. O comportamento pode ser observável (aberto) como, por exemplo, escrever, falar ou não observável (encoberto) como, por exemplo, sentir dor ou sonhar. Para analisarmos um comportamento precisamos ter bem claro os três componentes: (1) antecedente, (2) comportamento e (3) consequente.

Agora vamos entender tudo isso na prática, por exemplo, Pedro tem 6 anos e esta jogando videogame no quarto enquanto seus pais estão vendo filme na sala, chegou a hora de Pedro dormir então os pais param de ver o filme e vão até o quarto avisá-lo que é hora de dormir (1. antecedente), neste momento Pedro diz; Ah não! Deixa só mais um pouquinho? Os pais insistem que ele precisa dormir e então Pedro começa a chorar (2. comportamento) pedindo para jogar só mais um pouquinho. Os pais que estavam assistindo o filme e não querem ter mais problemas cedem dizendo; esta bem, só mais meia hora! (3. consequente = permissão para ficar acordado mais meia hora). Portanto, Pedro recebeu uma recompensa por ter chorado, o que reforçou o poder desse comportamento, e ele aprendeu que chorando e fazendo manha conseguiu o que quis. Da próxima vez, haverá maior probabilidade de chorar para conseguir o que deseja. Por outro lado, os pais ficaram aliviados porque o choro parou e puderam assistir ao filme sem perturbações…é uma rede complexa de situações, isso é analisar o comportamento. Como se pode perceber, todos estão envolvidos; não é possível isolar o fato de uma criança fazer manha, os pais são parte desse comportamento.

Se não sabemos como a criança adquire determinado comportamento, teremos a tendência a definir o comportamento da criança como sendo “traços de personalidade”, por exemplo, Pedro é manhoso, Maria é preguiçosa, Paulo é agressivo, Ana é boazinha, e assim por diante. Cada pessoa é o que faz, portanto personalidade é um repertório de comportamentos que uma pessoa adquire sob condições especiais do seu desenvolvimento, que incluem fatores fisiológicos e ambientais. Portanto, os pais devem se perguntar “em que condições” a criança apresenta determinado comportamento e não “por quê” ela o desenvolve. Cada comportamento tem uma função, e pode ter diferentes motivações ou consequências em determinadas situações. O comportamento dos filhos modifica o comportamento dos pais e vice-versa! Características físicas e comportamentais das crianças influenciam como os pais agem com elas desde o nascimento, portanto, a atitude dos pais influencia o comportamento dos filhos. Responsabilidade, né? Educar requer muita responsabilidade! O que não deve ser confundido com culpa, alguns pais relatam sentirem-se culpados pelo mau comportamento dos filhos. Eles não são culpados, afinal desconhecem os princípios do comportamento e do desenvolvimento infantil, porém, são responsáveis por suas ações e pelas consequências geradas por elas.

No próximo mês, discutiremos o terceiro princípio “Conhecer o desenvolvimento de uma criança”. Até lá!

Referências e para saber mais:
“Eduque com carinho” Equilíbrio entre amor e limites. Lidia Weber. Editora Juruá.
OSLC- Oregon Social Learning Center