Princípio 1. Amor incondicional

Princípio 2. Conhecer os princípios do comportamento

Princípio 3. Conhecer o desenvolvimento de uma criança

O desenvolvimento da criança inclui estágios tanto físicos quanto emocionais. Frequentemente nos concentramos no físico, e temos pouco conhecimento ou compreensão sobre a importância do desenvolvimento emocional. É importante lembrar que cada criança se desenvolve em ritmo e velocidade diferentes, dependendo da personalidade e história de vida.

Conhecer como as crianças se desenvolvem e amadurecem, ajuda-nos a entender certos comportamentos, limitações ou atitudes em determinadas fases. Por exemplo, bebês cospem a comida e acham graça, jogam o prato no chão para ouvir o barulho, jogam coisas só para vê-las cair, adoram lamber os dedos e se sujar faz parte da brincadeira! Aprender brincando é uma grande motivação e a melhor forma dos pequenos entenderem o mundo.

O bebê humano é diferente dos bebês de outras espécies, se desenvolve de maneira mais lenta pois precisa se preparar para atividades complexas que envolvem pensamentos, consciência e emoções. Alguns comportamentos só acontecem na hora certa como, por exemplo, a retirada da fralda que é possível por volta dos dois anos de idade, quando o cérebro permite certo controle sobre este aspecto. Falar “não pode” e dar explicações lógicas não fará muita diferença para uma criança começando a andar, ela só vai entender quando cair, levantar e eventualmente se machucar. As palavras e explicações abstratas ainda não podem ser devidamente processadas no cérebro, os circuitos neurais responsáveis por esses processos ainda não estão totalmente desenvolvidos. As sensações e emoções vivenciadas pela criança e pelas pessoas que a cercam, são as principais ferramentas para o aprendizado nesta fase.

Bebês que andam e falam precisam explorar o mundo. É muito importante para crianças de 1 a 2 anos, sentirem-se competentes e autoconfiantes a partir do amor e proteção de seus pais. São seres ávidos por conhecimento e preparados para aprender tudo com alegria e divertimento. No entanto, muitos pais apresentam certa tendência ao negativismo, falando muito “não”, enfatizando o erro e utilizando rótulos pessoais, que podem jogar um balde de água fria na “chama” que os impulsionam a crescer, enfrentar desafios, acreditar que vai dar certo, ousar e querer aprender sempre. Como estão em franca expansão, os limites e como são ensinados são extremamente importantes nesta fase, por segurança física e emocional. Limites serão melhor assimilados através de vivências e do exemplo dos pais. Ter autoridade é fundamental mas ser autoritário pode ser prejudicial, sob ameaça o cérebro involuntariamente se prepara para atacar ou fugir, inibindo habilidades cognitivas importantes para o aprendizado. Portanto, qualquer cérebro saudável aprende melhor e ambientes seguros e com pessoas de confiança!

Crianças pré-escolares, de 3 a 4 anos, precisam aprender regras. Por volta dos 3 anos a criança começa a desenvolver consciência do certo e errado. As regras e limites são fundamentais para guiar seu pensamento e comportamento. Os pais não devem fazer tudo o que ela quer mais mostrar interesse em tudo o que ela faz. Elas começam a entender melhor as regras, assim como as causas e conseqüências. Por volta dos 3 anos, a criança apresenta energia intensa, atividade física incansável e um jeito de testar você e suas regras a todo o momento. Ainda podem ocorrer birras, pois a criança não tem habilidades verbais e físicas suficientes para se expressar e conseguir o que deseja; não ceda!

As crianças de 5 a 10 anos, querem desenvolver imensamente seu senso de competência e precisam muito mais do apoio e incentivo dos pais. Passam a brincar com mais interatividade com outras crianças e desenvolver relacionamentos de amizade. Os pais precisam incentivar o contato social e ajudar a criança a desenvolver empatia, isto é, tentar se colocar no lugar do outro, compreender seus sentimento e tentar ajudar. Estimule atividades solidárias, doação de brinquedos, visitas a instituições, participação em campanhas, etc. Os valores morais são alicerces extremamente importantes e devem ser vivenciados cotidianamente.

Monitorar é fundamental, os filhos podem escolher os amigos mas os pais devem saber quem são, conhecer a família e saber onde estão. As brigas, geralmente, se resolvem entre eles e raramente precisam da interferência dos pais, mas nunca ignore um comportamento agressivo! Converse e ajude a criança a lidar com as situações de maneira menos agressiva e mais assertiva. Pergunte sobre as relações com os amigos, crie oportunidades de estarem juntos em ambientes e momentos agradáveis, maneiras de estarem mais próximos e envolvidos com os filhos. As explicações sobre regras e conseqüências podem ser mais elaboradas a medida que a criança cresce.

Pré-adolescência e início da adolescência (11-12 anos) são fases de transição para independência, onde as crianças aprendem a partir! É a fase inicial da construção de uma nova identidade, estando ainda recheados pela velha identidade infantil. Nesta fase os adolescentes estão em processo de transformação hormonal, corporal, psicológico e social, como expressão das modificações neurobiológicas que estão ocorrendo ao longo deste período. Junto à dinâmica hormonal, o corpo passa por transformações intensas e por vezes constrangedoras: vozes estridentes, braços e pés enormes, espinhas embaraçosas, pêlos incômodos e suor forte. O adolescente fica desconfortável com seu próprio corpo logo no momento em que agradar o sexo oposto é tão importante!

Nesta fase, o adolescente percebe a necessidade de alcançar sua autonomia; é a fase dos questionamentos, de ser contra a ordem estabelecida, de mostrar-se contrário a autoridade. Neste contexto, surge a vergonha dos pais, sua presença na escola ou na balada é “mico” e a opinião do grupo é tudo. Adolescentes gostam de andar em grupos, com os quais se identificam e constroem a imagem social. Ser popular, bonito (a), irreverente e engraçado (a) é gratificante e garante um lugar no “ranking”! Competitivos eles são por natureza, portanto, não valorizar ou estimular essa característica parece ser um caminho saudável. Mais uma vez, monitoramento e bom senso são palavras-chave!

Portanto, precisamos ser íntimos, empáticos, acessíveis, firmes e consistentes, oferecendo-lhes liberdade vigiada! Difícil, né? Com consciência e otimismo chegamos lá!

No próximo mês, discutiremos o quarto princípio “Autoconhecimento”, para mudar ou prevenir comportamentos inadequados e/ou ensinar os adequados para nossos filhos, é importante, antes, conhecermos nossos próprios comportamentos. No próximo artigo você será convidado a refletir sobre si mesmo!

Referências e para saber mais:

“Eduque com carinho” Equilíbrio entre amor e limites. Lidia Weber. Editora Juruá.

OSLC- Oregon Social Learning Center – http://www.oslc.org/

http://www.healthvisitors.com/parents/stages_emotional_development.htm

Joseph LeDoux (2002). Synaptic self: how our brains become who we are? Viking. Penguin Group.