O engenheiro Gabriel Figueiredo resolveu usar a máscara de poluição após sentir dores de cabeça e sintomas de rinite.

Um dos focos da gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) em São Paulo tem sido estimular o uso de meios alternativos de transporte, como a bicicleta. Seguindo modelos de cidades como Berlim, Amsterdã, Londres e muitas outras, o objetivo é que a capital paulista some 400 km de ciclovias até 2016.

O ciclismo estimula a mobilidade ativa, mas pedalar nas vias movimentadas pode acentuar alguns riscos à saúde e gerar desconfortos devido à poluição do ar.

Segundo o pneumologista do Instituto do Coração (Incor), Ubiratan de Paula Santos, ciclistas, ou qualquer um que faça exercícios físicos em locais de intenso tráfego de veículos, estão mais expostos à poluição pois a quantidade de ar inalada é maior, já que a frequência cardíaca aumenta para contrair os músculos necessários para realizar a atividade.

Uma das opções para se proteger dos efeitos da poluição do ar que ainda não é muito difundida no Brasil, mas comum em  cidades da Europa Ásia, é a utilização de máscara, que deve ser escolhida conforme o ambiente onde ele será usado.

Em São Paulo, a maior parte da poluição é de origem veicular e industrial, portanto uma máscara retentora de material particulado é a opção mais simples e eficaz. “É preciso ficar atento às fibras destes tipos de máscara e ao certificado de partículas finas. Os filtros mecânicos P2 e P3 são mais apropriados para a poeira fina”, disse o médico pneumologista. As classificações são em função da capacidade de filtração do material – P1, P2 e P3, sendo P1 capaz de reter apenas partículas sólidas ou líquidas geradas de soluções ou suspensões aquosas, e não recomendado para o material particulado.

Para filtrar gases como ozônio, dióxido de carbono, monóxido de carbono, entre outros, deve-se investir em máscaras que usam carvão. Maior e mais incômodo, o modelo também é mais caro, chegando ao valor de cerca de 40 dólares na máscara, e 15 dólares um pacote com três filtros. Quanto aos filtros, eles devem ser trocados conforme a frequência em que forem usados. O pneumologista do Incor recomenda substitui-los a cada dez dias, aproximadamente, para quem pedala diariamente no deslocamento ao trabalho e na volta para casa.  “A concentração de poluentes em São Paulo está acima das indicações da Organização Mundial da Saúde (OMS), mas não recomendo o uso de máscaras para todos. O benefício para a quantidade de ar inalada por um pedestre ainda não é bem estabelecido, além de o preço não ser acessível para todos”.

Saúde X Poluição

Apesar das vantagens de máscaras que protegem contra a poluição, quem não tem condições de comprá-las ou sente incômodo ao usá-las não deve considerar os fatores como impedimento para se exercitar. Segundo o pneumologista, mais importante do que se munir contra a poluição é praticar exercício físico pelo menos três vezes por semana, tornando-o “crônico”. Os efeitos da má qualidade de ar são mais graves por quem faz exercícios esporadicamente, ou apenas aos finais de semana, pois não há o benefício das atividades recorrentes para compensar os prejuízos de inalar o ar poluído. Para os ciclistas de rotina e para os corredores, as vantagens de incluir frequentemente atividades físicas na agenda são maiores do que as desvantagens de fazê-las em uma atmosfera poluída. Além disso, sabe-se que academias nem sempre são acessíveis e que alinhar o deslocamento com o exercício é uma solução viável para quem tem a rotina corrida. O médico, no entanto, tem orientações para quem se exercita ao ar livre em grandes cidades:

  1. Evite corredores de grande tráfego, ou se distancie deles em, no mínimo, 100 metros.
  2. Procure fazer o exercício em horários com menor tráfego de veículos.
  3. Lembre-se de se hidratar. A perda de água resseca as vias aéreas, comprometendo a filtragem de poluentes, especialmente em temperaturas acima de 25° C.
  4. Indivíduos com doenças crônicas que vão começar a se exercitar devem procurar um médico para orientá-los e, possivelmente, fazer ajustes nas medicações.

Este texto gerou a pauta para o Jornal Nacional da Globo: confira a matéria na íntegra