Ansiedade é medo…mas o que é medo? Em termos neurobiológicos, medo é a memória do perigo. Se temos ansiedade, o cérebro revive constantemente essa memória nos forçando a viver com esse medo. Tudo começa quando a amígdala (estrutura do cérebro que processa reações emocionais) dispara o sinal de alerta e sobrevivência mas, diferente da resposta de estresse normal, na ansiedade, as reações cognitivas e corporais do medo mascaram a situação real, impossibilitando o julgamento adequado do perigo; se é real, se é grande ou se já passou. As memórias de medo se conectam umas com as outras formando uma “bola de neve” onde mais memórias vão se associando ao medo, mudando o nosso modo de pensar.

Segundo Manfred Spitzer, professor de psiquiatria na Universidade de Ulm, na Alemanha, o estado emocional da ansiedade não estimula a criatividade e, portanto, a ansiedade não é uma “boa professora”. Quando estamos ansiosos, substâncias químicas no cérebro bloqueiam o aprendizado recrutando todos nossos recursos para lidar com a situação “ameaçadora” e, sendo assim, não somos criativos nestas circunstâncias. Ao investigar o cérebro de pessoas que aprenderam algo “sob pressão”, Spitzer descobriu que, ao recordarem do que haviam aprendido, elas descreveram apenas a ansiedade!

“A partir de imagens do cérebro, vimos que estruturas cerebrais envolvidas com a memória se ativam nos minutos em que não fazemos nada. Precisamos ter tempo. Já sabemos que 15 minutos de aula são mais produtivos do que uma hora. As crianças têm de ter esse tempo. As mães se transformam em taxistas e passam o dia levando e buscando as crianças em aulas de violino, inglês, judô… As crianças precisam ficar sozinhas, brincar. Se você força as coisas muito cedo, o aprendizado para elas não será prazeroso, e elas podem desistir de aprender” explica Spitzer.

Portanto de acordo com as pesquisas de Spitzer podemos concluir que:

1. O estado de ansiedade bloqueia o aprendizado.

2. Não fazer nada após aprender algo é bom.

3. Quando paramos por 15 minutos, conseguimos organizar as idéias.

A pesquisa realizada por Dr. John Ratey, professor associado de psiquiatria da Harvard Medical School assinala que o melhor “remédio” contra a ansiedade é o exercício e destaca pontos relevantes em favor do exercício:

1. Proporciona distração duradoura; nos faz pensar em outras coisas que não o medo ou o próximo ataque de pânico por algum tempo, mesmo após o exercício.

2. Reduz a tensão muscular; diminui a sensação de ansiedade.

3. Estimula fontes cerebrais; aumenta a serotonina e a norepinefrina no momento do exercício e por mais algum tempo após o mesmo. Estas substâncias atuam no “circuito do medo” no cérebro, melhorando a performance de regiões frontais que inibem o medo e acalmam as reações da amígdala.

4. Ensina diferentes respostas; um aspecto importante da ansiedade são os sintomas físicos, como aumento dos batimentos cardíacos, sudorese, respiração rápida, etc…Sintomas estes inerentes a atividade aeróbica, e isso é uma coisa boa, no momento que podemos associar os sintomas físicos da ansiedade a algo positivo, alguma coisa que podemos iniciar e controlar. Assim a memória das sensações físicas positivas podem ir “apagando” as negativas associadas à ansiedade.

5. Recoordena os circuitos; A ativação do sistema nervoso através do exercício melhora a ativação de circuitos de aprendizado e alternativas de realidade.

6. Aumenta a resiliência; aprendemos que estamos efetivamente controlando a ansiedade e nos damos conta de que podemos fazer algo para melhorar a qualidade de vida.

7. Liberta as pessoas; pessoas ansiosas tendem a imobilizar elas mesmas e o exercício vai estimular o oposto!

Não fique aí parado! Movimente-se…e bye bye ansiedade!

Referências, e para saber mais:
Ratey, John, 2008. Spark. The Revolutionary New Science of exercise and The Brain. Ed. Little, Brown and Company.