Como podemos ajudar nossos filhos a responderem às nossas expectativas? Segundo a neurocientista Suzana H. Houzel , a melhor estratégia é mostrar-lhes as opções possíveis de uma maneira positiva e evitar a negação.

Quando falamos, por exemplo, “não atravesse a rua!” ou “não pule da escada!” o cérebro ativa automaticamente as representações dessas ações: “atravesse a rua” ou “pule da escada”. Mas, quando elas vêm precedidas do não, é o córtex pré-frontal a região do cérebro responsável por impedir a execução dos respectivos comportamentos. No entanto, o córtex pré-frontal das crianças ainda está imaturo e nem sempre esta região do cérebro consegue impedir que tais comportamentos ocorram, o que pode ser um convite ao desastre! Portanto, ao invés de dizer “não pule” o melhor seria dizer “fique bem quietinho!”. É verdade que esta estratégia requer certo treino, mas para nós adultos, não é tão difícil. Vamos fazer um teste: atenção! Não pense em um bolo de chocolate! Imagino que um bolo de chocolate delicioso veio a sua mente e você precisou se esforçar para tirá-lo da cabeça, não é mesmo? Se para nós é difícil inibir a imagem ativada, imagine para os pequenos que ainda não tem essa capacidade desenvolvida? Exatamente por este motivo temos a sensação que nossos filhos fazem exatamente o contrário do que pedimos e estão sempre dizendo não.

É incrível como a maneira que interagimos com o outro determina resposta ou reação dele. Lembro-me de uma ocasião em que minha filha de 4 anos estava chorando porque meu filho mais velho havia arrancado o telefone da mão dela. Não é difícil imaginar qual foi a sua reação; um não bem alto acompanhado de um choro estridente. Pedi para que ele devolvesse o telefone e em seguida pedisse de uma forma delicada. Ele devolveu meio cabreiro, achando que não conseguiria convencê-la. Orientei para que fizesse uma introdução simpática como ”que legal que você esta com o telefone da mamãe!”. Com um sorriso no rosto ele perguntou: “Eu posso ver um pouquinho e depois te devolvo?”. Ela imediatamente estendeu a mão com um sorriso ainda maior e falou: “toma mano, pode ver!”. Nem eu acreditei!

Sem dúvida a estratégia mais fácil é a imposição pela “força”, no entanto, a menos eficiente. Quando o cérebro se sente ameaçado ele se prepara para atacar ou fugir, implicando em reações fisiológicas involuntárias que vão interferir na qualidade da relação e em suas manifestações futuras.

Portanto, ajude seu filho a dizer sim, oferecendo lhe opções possíveis de forma positiva, tendo menos atitudes reativas e mais pró-ativas. Mas lembrem-se, o objetivo não é sermos permissivos e sim assertivos, passando a informação da forma mais adequada à compreensão do cérebro infantil.