Socorro! Tenho um adolescente em casa! Na maioria das vezes a adolescência é vista pelos pais como fase difícil e cheia de aborrecimentos e perigos, onde limites são postos à prova a qualquer custo. Não é difícil ouvir pais se referindo à adolescência como “aborrecência”. Ao contrário do que muita gente pensa, o cérebro adolescente está longe de estar pronto. Neste período, passa por uma intensa remodelagem, aprendizagem e transformação em direção a maturidade e a independência.

Como descreve Suzana Herculano-Houzel, as transformações cerebrais da adolescência começam no hipotálamo que ao comandar a produção de hormônios sexuais e tornar-se sensíveis a eles, permite ao cérebro descobrir o sexo. Em seguida, vêm as alterações no sistema de recompensa, que sofre enorme baixa e deixa de encontrar graça no que antes dava prazer. O resultado é um conjunto de marcas diagnósticas da adolescência: tédio, perda de interesse pelas brincadeiras da infância, impaciência, preferência por novidades e gosto por riscos. O conjunto é ótimo, pois nos faz abandonar os prazeres da infância e querer sair de casa em busca de outros horizontes. Senão, quem trocaria casa, comida e roupa lavada por um bocado de liberdade e um punhado de incertezas?

No entanto, os circuitos da região do cérebro chamada de córtex pré-frontal e orbitofrontal que nos fazem agir de maneira adulta, regulando impulsos, colocando-nos no lugar dos outros, antecipando o futuro, analisando riscos e tomando boas decisões, levam cerca de 20 anos para amadurecer. Portanto, observa-se descompasso entre as mudanças relativas à puberdade e a maturação cortical dependente da idade, levando, muitas vezes, o adolescente a comportamentos mal-adaptativos.

A adolescência é em sua essência fase repleta de desafios não apenas para os pais que precisam estar preparados e bem informados para compreender, acolher e orientar, mas, principalmente, para os próprios adolescentes que enfrentam o desafio de se adaptar a uma série de mudanças físicas e emocionais sem estarem plenamente aptos para isso!

“Emprestar” aos adolescentes ou dar-lhes possibilidade de utilizar a capacidade de nosso córtex pré-frontal adulto através de conversas, conselhos e ponderações pode ser um bom começo!