Data: Fevereiro de 2018

Autores: Evangelina da M. P. A. de Araujo Vormittag

Descrição: O Instituto Saúde e Sustentabilidade realizou em 2017 um estudo exploratório, transversal e descritivo, a partir de um questionário de auto avaliação em saúde aplicado à população do município de Barra Longa após o desastre com as barragens de Fundão. Ao término desta pesquisa, decidiu-se convidar 15 participantes para colher amostras de sangue e fios de cabelo com o objetivo de realizar um diagnóstico para a presença de metais. Os resultados estão descritos no presente relatório apresentado publicamente em 2018.

Onze moradores da cidade de Barra Longa (MG) que realizaram exames toxicológicos no ano passado foram diagnosticados com intoxicação por níquel, segundo relatório do Instituto Saúde e Sustentabilidade enviado ao Ministério Público, ao qual a BBC Brasil teve acesso. Em metade dos participantes os níveis de arsênio no sangue estavam alterados.

Esse é o primeiro diagnóstico nesse sentido entre populações afetadas pelo rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, em novembro de 2015.

Por causa do documento, a Procuradoria da República em Minas Gerais enviou no início deste mês ofícios às secretarias de saúde de Barra Longa e dos Estados de Minas Gerais e do Espírito Santo, ao Ministério da Saúde e à Fundação Renova, que hoje responde pelas ações de reparação da mineradora Samarco, requisitando um estudo aprofundado das regiões afetadas pelo desastre para monitorar a presença de metais pesados e suporte para o tratamento daqueles já diagnosticados.

O relatório destaca que, pelo número reduzido de participantes, ele não é suficiente para estabelecer uma relação causal entre a intoxicação e o desastre de Mariana, mas ressalta que os achados tornam prementes estudos mais profundos. A Renova diz estar empenhada em avaliar os riscos à saúde e diz que abriu há 15 dias uma chamada técnica, dentro de uma série de estudos epidemiológicos e toxicológicos em toda a área impactada, “em um novo esforço para investigar a situação”.

O rompimento da barragem matou 19 pessoas e despejou no meio ambiente 34 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério, que desceram 55 km pelo rio Gualaxo do Norte até o Rio do Carmo e outros 22 km até o Rio Doce.

O vazamento soterrou os distritos rurais de Bento Rodrigues, Paracatu e Gesteira e invadiu Barra Longa, a 60 km de Mariana. A avalanche de lama percorreu 663 km de cursos d’água e atingiu 39 municípios em Minas Gerais e no Espírito Santo – o maior desastre ambiental do país.

Para ler a reportagem completa acesse BBC Brasil.