Por Instituto Saúde e Sustentabilidade

Apenas neste mês de outubro novas pesquisas apontaram a associação entre a poluição atmosférica e o aumento das taxas de abortos espontâneos e de distúrbios neurológicos como depressão e transtorno bipolar. Ou seja, embora cada vez mais estudos apontem os malefícios do ar tóxico, a quantidade de emissões nas regiões urbanas, decorrentes da indústria e dos veículos automotores, e rurais, decorrentes das queimadas, não tem diminuído na mesma escala.

A Agência Europeia do Ambiente publicou em seu relatório de Qualidade do Ar que quase todos os cidadãos europeus estão expostos a níveis de poluição que excedem os limites saudáveis determinados pela Organização Mundial de Saúde, resultando em 400 mil mortes prematuras apenas no ano de 2016. O relatório aponta que “atualmente, a poluição do ar é o risco ambiental mais importante para a saúde humana” e esclarece que os países devem  investir na redução do número de automóveis e na substituição das matrizes energéticas para conter as emissões de poluentes como o material particulado e o dióxido de nitrogênio, já que “quando combatemos a poluição, estamos também lutando contra as mudanças climáticas, e promovendo um comportamento mais saudável”.

O Instituto Saúde e Sustentabilidade anunciou os resultados de um estudo inédito que averígua o impacto em saúde pública – morte e internações hospitalares públicas – e sua valoração, pela implementação do gás natural veicular (GNV) em substituição ao diesel em 50% da frota do transporte público sobre rodas (ônibus) das regiões metropolitanas de São Paulo (RMSP) e Rio de Janeiro (RMRJ). A hipótese levantada é que a implementação do GNV no transporte público acarreta a diminuição de emissão de poluentes, que, por sua vez, poderá exercer um impacto positivo em saúde pública, além do ganho de produtividade e economia dos gastos públicos hospitalares relacionados.

O estudo mensura os impactos da emissão de material particulado fino (MP2,5), um dos maiores vilões da poluição atmosférica à saúde. São micropartículas em suspensão na atmosfera que podem causar ou agravar uma série de problemas de saúde, em especial em grupos considerados mais sensíveis, como idosos e crianças. Segundo a OPAS, a contaminação do ar é responsável por 35% das mortes por doenças respiratórias, 15% das mortes por derrame cerebral, 44% das mortes por doenças do coração, 6% das mortes por câncer de pulmão e 50% dos casos de pneumonia em crianças.

Políticas específicas de mitigação que possam reduzir as emissões de gases de efeito estufa nas cidades e ao mesmo tempo resultar em co-benefícios para a saúde referem‐se principalmente às medidas nas áreas de transporte e energia, dentre elas, o uso de matrizes energéticas mais limpas.  No município de São Paulo, embora os ônibus da frota pública representem menos de 3,6% dos veículos a diesel que circulam na região metropolitana, eles são responsáveis por 35,2% da emissão do MP, apresentando-se como um ótimo alvo para redução de emissões nas cidades.

Os resultados mostram, somadas as RMSP e RMRJ, considerando a concentração de MP2,5 a mesma desde 2016, contabilizam, de 2018 até 2025, 26.107 mortes precoces (3.263 mortes anuais ou 9 mortes ao dia), decorrentes do poluente proveniente exclusivamente de emissões de fonte diesel da frota de transporte público, ônibus – a um custo, em perda de produtividade, de R$ 10,9 bilhões. Além da mortalidade, ocorrerão 12.947 internações públicas por doenças respiratórias, cardiovasculares e câncer de pulmão (1.562 internações anuais ou 4 ao dia), a um custo de R$ 21,7 milhões ao Sistema Único de Saúde – que representam metade das internações no estado de São Paulo e 60% no estado do Rio de Janeiro. Os resultados são representativos do impacto de 23,5% da população brasileira, que compõe os moradores das duas regiões metropolitanas estudadas.

O benefício encontrado para a substituição do diesel por GNV na frota de ônibus, segundo o cenário de substituição de 50% da frota de 2018 até 2025, é a redução de 10.679 mortes e 5.284 internações públicas. Em termos de custos, significam a produtividade salva em R$4,5 bilhões e a economia em gastos públicos em saúde em R$8,8 milhões. Ou seja, as vidas salvas e internações evitadas com a inclusão do GNV em 50% dos ônibus anualmente, representam a diminuição de 41% da mortalidade e internações públicas causadas pelo MP na frota diesel.

No caso específico da RMSP, aponta-se a redução de 5.688 mortes e 3.525 internações públicas, com a produtividade salva em R$2,47 bilhões e a economia em gastos públicos em saúde avaliado em R$6,5 milhões. Já na RMRJ, temos a redução de 4.991 mortes e 1.759 internações públicas, com a produtividade salva em R$1,98 bilhão e a economia em gastos públicos em saúde avaliado em R$2,4 milhões.

Os resultados do estudo são relevantes. Além de ser encontrado de forma abundante na natureza, há um importante crescimento da participação da fonte de gás natural, de 3% em 1990 para 14% em 2015 no país. A sua utilização é uma alternativa promissora para a redução dos impactos ambientais e na saúde humana, contribuindo para a conformação de um modelo energético em prol da mobilidade sustentável nas cidades brasileiras.

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Camila Acosta

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