30/03/2017

Instituto Saúde e Sustentabilidade publica resultado de estudo sobre a saúde da população de Barra Longa/MG após o desastre

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInEmail to someone

O Instituto Saúde e Sustentabilidade publicou nesta quarta-feira, 29 de março de 2017, o estudo Avaliação dos riscos em saúde da população de Barra Longa/MG afetada pelo desastre, realizado com o apoio do Greenpeace. Os resultados foram apresentados ao Ministério Público de Ponte Nova, à população e à Secretaria Municipal de Saúde.

O DESASTRE

Em novembro de 2015, no município de Mariana, ocorreu o rompimento da barragem do Fundão causando o maior desastre minerário ambiental ocorrido no Brasil. O município vizinho, Barra Longa, foi atingido, em grande magnitude, destruindo plantações e atingindo a sua área central. A população do município está exposta a uma série de riscos decorrentes da degradação do meio ambiente e por um longo período desde o desastre. O derramamento dos rejeitos causou o revolvimento e aumento da biodisponibilidade de uma série de componentes tóxicos – inclusive metais – demonstrado por uma série de análises – em vários componentes naturais; água, solo e fauna (peixes e crustáceos), em níveis superiores aos preconizados para segurança segundo as leis brasileiras; em mais de um local e em diferentes períodos. A bacia aérea da cidade também se tornou tóxica devido ao pó proveniente da lama seca, exacerbado pelas obras de reconstrução da cidade.

A PESQUISA

O Instituto Saúde e Sustentabilidade foi contemplado na chamada pública, edital #RiodeGente, que selecionou projetos de pesquisa que avaliassem e dimensionassem os impactos sociais e ambientais causados pelo rompimento de barragens de rejeitos de mineração ao longo da bacia do Rio Doce. O coletivo #SouMinasGerais promoveu dois shows beneficentes em Belo Horizonte e São Paulo, com o objetivo de reverter a renda para amparar os atingidos da tragédia. Com um público total estimado em mais de 13 mil pessoas e uma arrecadação de R$ 450 mil, os shows juntos contaram com a participação de diversos artistas como Criolo, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Jota Quest, Emicida, Tulipa Ruiz, Ney Matogrosso, Fafá de Belém, Maria Gadú, Mariana Aydar, Nando Reis, entre outros (Greenpeace, 2015a). A gestão do edital é de responsabilidade do Greenpeace Brasil.

OS RESULTADOS

O estudo realizado expõe que a saúde da população está comprometida e de diversas formas. Os dados de saúde encontrados espelham o sofrimento da população a multivariadas queixas e doenças, e ao acometimento de sua saúde e qualidade de vida plenas.

Embora os sintomas relatados possam caracterizar diversas doenças, também podem eventualmente ocorrer em casos de intoxicação por alguns metais. O estudo aponta os sintomas sugestivos, mas não permite afirmar a associação causa-efeito da exposição aos metais e adoecimento.

Abaixo alguns resultados específicos:

  • Não se encontrou diferenças significativas na análise estatística quando estudados grupos de doenças entre os locais de moradia: proximidade ao rio, centro urbano e área rural.
  • A população residente em Volta da Capela apresenta maior vulnerabilidade e frequência de alguns sintomas maior com  significância em relação a grupos populacionais de outras regiões para: afecções de pele, vômitos, dor nas pernas, cãibras, “dor nos ossos”.
  • Sugere-se o monitoramento e vigilância da área afetada e da população exposta como parte dos problemas de avaliação de riscos, bem como estudos futuros, que possam elucidar eventual associação com intoxicação e comprometimento de saúde.
  • São escassos os dados de saúde contabilizados e monitorados desde o desastre. Uma pesquisa epidemiológica em saúde EPI INFO, foi realizada pelo Ministério da Saúde, em julho de 2016, em Barra Longa, e até março de 2017, os resultados ainda não haviam sido divulgados.

 

IMPRENSA

comunicacao@saudeesustentabilidade.org.br

Camila Acosta (11)96335-2699