23/05/2017

Adoção de combustíveis renováveis na frota de ônibus pode evitar 12,7 mil mortes em São Paulo

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Até 2050 a poluição do ar na maior metrópole do país será responsável por mais de 178 mil mortes e terá um custo de quase R$ 54 bilhões, é o que revela o estudo Avaliação e valoração dos impactos da poluição do ar na saúde da população decorrente da substituição da matriz energética no transporte público na cidade de São Paulo realizado pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade em parceria com o Greenpeace lançado nesta quarta-feira (17/05).

A pesquisa realiza uma projeção para compreender em que medida a alteração da matriz energética da frota de ônibus no município é capaz de alterar esta realidade. Por exemplo, a substituição do diesel por biodiesel ou eletricidade seria capaz de salvar vidas e economizar recursos públicos.

São Paulo possui uma frota de quase 15 mil ônibus, responsáveis por quase metade da poluição do ar na cidade

No estudo os pesquisadores consideraram três cenários possíveis para o período entre 2017 e 2050:

1) A continuidade das políticas atuais para a frota, com predomínio do Diesel B7 (7% de biodiesel na composição).

Neste cenário, contabilizam-se 178.155 mortes atribuíveis à poluição do ar devido ao material particulado inalável fino (MP2,5) e um custo estimado em cerca de R$ 54 bilhões, em valores de 2015, considerando a perda de produtividade destas mortes precoces. Também seriam contabilizadas 189.298 internações públicas e privadas com custo estimado em R$ 634,7 milhões.

2) A adoção de 100% de combustíveis renováveis, na combinação de três tipos de fontes energéticas: biodiesel (B100), híbrida (B100 + elétrica) e elétrica, a partir de 2020.

Estimam-se 12.191 vidas salvas (6,8% do total de mortes) até 2050, o que evitaria uma perda de produtividade estimada em R$ 3,6 bilhões, além da redução de 13.082 internações públicas e privadas.

3) A substituição de 100% de diesel por ônibus elétrico, a partir de 2020.

No cenário mais otimista, seriam 12.796 vidas salvas (7,2%), perda de produtividade evitada estimada em R$ 3,8 bilhões e a redução de 13.723 internações. A substituição da matriz energética atual pelos cenários 2 e 3 representa uma economia de aproximadamente R$ 44, 5 milhões e R$ 46,5 milhões respectivamente, comparado ao B7, em relação a gastos com internações públicas e privadas.

Informações de: Greenpeace

“Os ônibus a diesel são como cigarros sobre rodas – poluem o ar tanto quanto o fumo que foi proibido em locais públicos fechados. Uma hora de exposição ao trânsito equivale a fumar um cigarro”, afirma a médica Evangelina Vormittag, diretora do Instituto Saúde e Sustentabilidade.